Os legisladores dos EUA divulgaram mais de 2 mil páginas de documentos judiciais relacionados a Jeffrey Epstein, o empresário norte-americano acusado de tráfico de pessoas para abusos sexuais.
Entre os documentos, consultados pela BBC, surgem referências a várias figuras públicas, incluindo o príncipe André, Donald Trump, Steve Bannon, além de outras personalidades do mundo dos media, da política e do entretenimento.
Entre os documentos divulgados, surgem outros nomes de várias figuras públicas. No entanto, a inclusão dessas pessoas não implica, necessariamente, qualquer violação da lei.
Michael Wolff
Michael Wolff, jornalista e colunista norte-americano de 72 anos, é também autor de vários livros sobre as elites americanas. O seu livro Fire and Fury, lançado em 2018, foca-se no primeiro mandato de Donald Trump e descreve uma Casa Branca disfuncional, com detalhes sensacionalistas sobre o ex-presidente. Trump referiu-se a Wolff como uma pessoa "cheia de mentiras".
Os documentos tornados públicos revelam uma troca de e-mails, onde Wolff aparentemente dá conselhos a Epstein sobre Trump, numa altura em que o norte-americano preparava para a sua primeira campanha presidencial.
Em 2015, Wolff escreveu a Epstein para alertá-lo de que a CNN iria questionar Trump sobre o seu relacionamento com Epstein. Ao que o criminoso respondeu: "Se conseguirmos elaborar uma resposta, o que achas que deveria ser?". O jornalista sugere: "Acho que deves deixá-lo afundar-se."
Noutro e-mail, de outubro de 2016, Wolff oferece a Epstein a possibilidade de uma entrevista que poderia “destruir” Trump.
Larry Summers
Os documentos também incluem correspondência entre Epstein e Larry Summers, ex-secretário do Tesouro durante a presidência de Bill Clinton. Apesar de já ser público que os dois se conheciam, surgem mais informações sobre a relação de ambos.
Os e-mails revelam que Epstein e Larry Summers se encontravam frequentemente para jantar e que o criminoso tentava aproximar Summers de várias personalidades influentes a nível mundial.
Em julho de 2018, Epstein propôs uma reunião com o "presidente das Nações Unidas, uma pessoa interessante" para o ex-secretário.
O porta-voz de Summers recusou comentar, mas lembrou declarações anteriores, em que Larry Summers disse ao Wall Street Journal que "lamenta profundamente ter mantido contacto com Epstein depois da sua condenação."
Kathryn Ruemmler
Foram também divulgadas trocas de e-mails entre Epstein e Kathryn Ruemmler, advogada que foi conselheira jurídica da Casa Branca durante o Governo de Barack Obama.
Em agosto de 2018, Epstein e Ruemmler discutiram os pagamentos ocultos de 130 mil dólares, antes das eleições presidenciais de 2016, à atriz de filmes pornográficos, Stormy Daniels, para manter silêncio sobre uma relação sexual ocorrida dez anos antes.
A troca de mensagens culmina com Epstein a escrever: "Vês, eu sei o quão sujo o Donald é.
O banco Goldman Sachs, onde Ruemmler é atualmente conselheira jurídica principal, disse que apoia a sua funcionária: "estes e-mails foram correspondência privada, muito antes de Kathy Ruemmler se juntar ao Goldman Sachs", comentou um porta-voz.
Peter Thiel
O bilionário investidor e apoiante de Trump, Peter Thiel, surge nos documentos de Epstein. De acordo com os arquivos, o criminoso escreveu a Thiel para convidá-lo a visitar a sua ilha no Caribe, onde terão acontecido alguns dos crimes.
Em agosto de 2024, Thiel foi crítico de Epstein durante uma participação no podcast The Joe Rogan Experience, onde admitiu ter-se encontrado com o criminoso "algumas vezes".
Noam Chomsky
Os documentos revelados incluem correspondência entre o linguista Noam Chomsky e Epstein. Embora muitas das conversas tenham sido académicas ou pessoais, algumas focaram-se em Trump.
Em resposta a reportagens anteriores, Chomsky afirmou que Epstein ajudou a mover dinheiro entre as suas contas, sem que tivesse recebido "um cêntimo" do criminoso, reconhecendo que o conhecia e que se "encontram ocasionalmente."
Peggy Siegal
Epstein consultou a publicitária Peggy Siegal enquanto o escândalo à sua volta se intensificava.
Em 2011, Epstein escreveu a Siegal pedindo que contactasse a fundadora do Huffington Post, Ariana Huffington, para refutar a história de Virginia Giuffre, uma das suas principais acusadoras.
Em resposta, Siegal escreveu: "Se reescreveres o teu último e-mail com melhor gramática (para que eu entenda melhor), posso cortar e colar e enviar para Ariana Huffington em meu nome".
No entanto, Siegal garantiu à BBC que nunca cumpriu o pedido de Epstein.
A estes nomes agora revelados junta-se também o príncipe André. Os documentos incluem o testemunho de Johanna Sjoberg, que alega ter sido tocada no peito pelo Duque de York numa casa de Epstein.
O antigo Presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, surge mais de 70 vezes nos documentos, mas não existem indícios de qualquer crime.
Johanna Sjoberg relatou que Epstein lhe disse que Clinton “gosta delas jovens”.
Virginia Giuffre não acusou Clinton diretamente, mas descreveu-o como uma “peça-chave” no contexto dos acontecimentos.
Donald Trump surge nos documentos, que incluem um depoimento sobre um voo desviado de Epstein.
O ex-governador do Novo México, Bill Richardson, é igualmente mencionado nos documentos. Virginia Giuffre terá afirmado no seu depoimento ter sido forçada a ter relações sexuais com pessoas proeminentes, incluindo Richardson, que antes de morrer negou conhecer Giuffre.
O cantor Michael Jackson é mencionado nos documentos, mas não há acusações de ilegalidade. Uma das testemunhas revelou apenas que conheceu Jackson através de Epstein.
O bilionário Thomas Pritzker surge como uma das pessoas com quem Giuffre afirma ter sido forçada a ter relações sexuais.
Jean-Luc Brunel
O agente de modelos francês é referido nos documentos e foi acusado por Giuffre de abuso sexual. Brunel, que aguardava julgamento por alegadas violações a menores, suicidou-se numa prisão em Paris, em 2022.
