Uma mãe venezuelana denunciou, na quarta-feira, que desde há mais de dez meses desconhece o paradeiro do filho, um motorista de moto-táxi detido a 29 de janeiro de 2025 quando prestava um serviço a um cliente, a sul de Caracas.
A denúncia e feita través de um vídeo divulgado nas redes sociais, através do qual Mayra Boscan, apela às autoridades que digam onde está Eudi Jesus Andrade, explicando que tem acorrido, sem sucesso, a vários centros de detenção do país à procura de informação.
"Apelo ao senhor Procurador-geral [Tarek William Saab] para que, por favor, me ajude a encontrar o meu filho que está desaparecido desde 29 de janeiro (...) Procurei-o na Direção-Geral de Contrainteligência Militar [serviços de informações militares] em Boleíta, e no [cárcere de] El Rodeo, e me disseram que não está lá", afirma.
No mesmo vídeo insiste em que necessita de ajuda para localizar o filho e saber como está.
"O meu filho não é nenhum criminoso, simplesmente saiu para prestar um serviço (...) senhor procurador, se tiver que trocar a minha vida pela do meu filho, estou disposta a fazê-lo. Ajude-me, por favor", sublinha.
Várias organizações não governamentais dos direitos humanos têm alertado, nas últimas semanas, sobre o alegado aumento do número de casos de desaparecimentos forçados na Venezuela e a necessidade as autoridades locais garantirem o devido processo legal a todas as pessoas detidas.
Mais de 800 pessoas detidas por motivos políticos na Venezuela
A Venezuela tem 882 pessoas detidas por motivos políticos, incluindo cinco portugueses que têm também nacionalidade venezuelana, de acordo com dados divulgados pela organização não-governamental (ONG) Fórum Penal (FP) nas redes sociais.
"Balanço de presos políticos na Venezuela: 882, dos quais 766 são homens, 116 mulheres, 709 civis e 173 militares, 878 adultos e quatro adolescentes, incluindo 85 estrangeiros", explica a FP na rede social X.
Na mesma rede social a ONG explica que os dados estão atualizados até 10 de novembro de 2025, que na última semana foram libertados dois presos políticos e que "desde 2014, se registaram 18.579 detenções políticas na Venezuela".
"O Fórum Penal prestou assistência gratuita a mais de 14.000 detidos, hoje libertados, e a outras vítimas de violações dos seus direitos humanos. Além dos presos políticos, mais de 10.000 pessoas continuam sujeitas, arbitrariamente, a medidas restritivas da sua liberdade", explica.
Com Lusa
