O Presidente norte-americano, Donald Trump, abriu esta quarta-feira a porta a negociações com o homólogo venezuelano, Nicolás Maduro, no contexto de crescentes tensões e recentes bombardeamentos de Washington de embarcações nas Caraíbas e no Pacífico.
"Poderei falar com ele (Maduro), veremos", declarou Trump. Acrescentou ainda que se puderem "salvar vidas" pacificamente, "ótimo", mas não descartou a hipótese de ter de o fazer pela força afirmando que, nesse caso, "também está tudo bem".
Donald Trump não perdeu ainda a oportunidade de acusar Caracas de "causar muitos problemas" a Washington e de "enviar milhões de pessoas" para os Estados Unidos.
De referir que estas operações militares dos Estados Unidos, justificadas com a necessidade de combater o tráfico de droga, também fizeram aumentar o receio de uma eventual intervenção ou ataque norte-americano em território venezuelano.
"Eles abriram as suas prisões e enviaram as pessoas para os Estados Unidos. Não estamos satisfeitos com isso", sublinhou Trump, reiterando as acusações à Venezuela pelo seu alegado papel nas operações de tráfico de droga e identificando novamente o gangue Tren de Aragua como uma das principais organizações criminosas da região.
As declarações de Trump surgem depois de Maduro ter discursado perante centenas de apoiantes, abordando uma "conjuntura decisiva" para a Venezuela.
"É proibido falhar nesta conjuntura decisiva para a existência da República. Não há desculpas para ninguém, seja civil, político, militar ou polícia", afirmou.
O Presidente venezuelano declarou ainda, à margem de um comício realizado na capital "em defesa da soberania", que a pátria exige o "maior esforço e sacrifício". "Se a pátria o exigir, a pátria terá as nossas vidas, se necessário", afirmou.
"Se [Simón] Bolívar conseguiu formar sete unidades do Exército para libertar toda a América do Sul e garantir a consolidação da independência na América Central e fora dela, nós devemos ser capazes de defender cada centímetro desta terra abençoada de qualquer ameaça ou agressão imperialista, venha de onde vier e quando vier", sustentou.
Rubio acusado de ser um "palhaço com delírios"
Por sua vez, o ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabelo, acusou o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, de ser "um palhaço com delírios" e ameaçou "aniquilar" quem decidir atacar o país caribenho.
"Vai falhar redondamente, tal como aconteceu com muitos palhaços que tiveram a ousadia de interferir na Venezuela", afirmou, segundo a estação televisiva venezuelana Globovisión.
"Lembrem-se das mentiras sobre o Iraque, a Síria, a Líbia, o Afeganistão. Em todos estes lugares, os Estados Unidos intervieram com mentiras; tentaram encenar o mesmo guião no nosso país, mas o mundo não acredita neles", comentou, antes de reiterar que "o verdadeiro objetivo da narrativa norte-americana é roubar os recursos naturais da Venezuela sob o pretexto de mudança do regime e acusações sobre a existência de uma ditadura".
