Sarkozy é recebido em apoteose. Há quem espere horas à porta das livrarias onde o ex-chefe de Estado francês vem dar autógrafos em exemplares do novo livro que lançou esta semana.
No "Diário de um prisioneiro", Sarkozy conta como foram os 20 dias em que esteve na prisão de La Santé, em Paris. Os apoiantes do ex-presidente ficaram chocados com o relato à medida que folheiam as primeiras páginas do livro.
Mas o que é que Nicolás Sarkozy conta que está a chocar os apoiantes? "As coisas que os outros reclusos lhe fizeram, por exemplo, gritar toda a noite para ele não poder dormir, a exclusão dele para não estar com outros prisioneiros, por segurança, mas também porque temia que os outros se vingassem dele", afirma uma dessas apoiantes.
Sarkozy entrou a 21 de outubro na prisão de Paris. Veio condenado em primeira instância por conspiração criminosa para receber dinheiro da ditadura líbia de Kadhafi para a campanha de 2007.
Mas o Tribunal de Recurso decidiu que pode aguardar o novo julgamento em liberdade e, por isso, Sarkozy abandonou o estabelecimento prisional depois de três semanas em que escreveu as 216 páginas do novo livro.
Mas este livro vai para além de memórias de um prisioneiro. Nicolas Sarkozy escreveu uma mensagem política dirigida aos apoiantes indefetíveis.
À direita, o ex-presidente disse que os nacionalistas de Marine Le Pen não são uma ameaça para a República Francesa.
"Insultar os dirigentes da União Nacional é insultar os seus eleitores. Considerá-los parece-me tanto natural como necessário", escreveu.
Agora, com o novo livro que já está no top de vendas, o ex-presidente pode ter dado o empurrão que faltava para o partido de Le Pen e Bardella chegar ao poder numas próximas eleições.
