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Gronelândia: uma viagem em imagens ao coração gelado do Ártico

Remota, gelada e pouco povoada, a Gronelândia voltou ao centro das atenções internacionais dado o interesse de Donald Trump. Mas para lá da geopolítica, esta é uma ilha de paisagens extremas, cultura inuit e gelo milenar, que começa agora a abrir-se mais ao turismo.

Enquanto a Gronelândia enfrenta o rigor do inverno ártico, a maior ilha do mundo regressou ao centro da atenção internacional depois de declarações do Presidente norte-americano, Donald Trump, sobre o seu interesse estratégico no território.

“Precisamos da Gronelândia. É estratégica neste momento”, afirmou Trump a jornalistas a bordo do Air Force One, sublinhando a importância da ilha para a segurança nacional dos Estados Unidos e questionando a capacidade da Dinamarca para garantir essa proteção.

As declarações provocaram reações imediatas das autoridades da Gronelândia, que reiteraram o direito à autodeterminação, e da Dinamarca, que administra a ilha como território autónomo. Vários aliados europeus, como França, Alemanha, Reino Unido, Portugal e UE manifestaram também oposição a qualquer ambição expansionista no Árctico.

Para lá da geopolítica

Habitadas por cerca de 56 mil pessoas, maioritariamente inuit, estas terras geladas situam-se a meio caminho entre a América do Norte e a Rússia.

Cerca de 80% da ilha está coberta por uma espessa camada de gelo, com vários quilómetros de profundidade. As populações inuit vivem sobretudo ao longo da costa, em pequenas comunidades coloridas, enfrentando invernos longos e escuros, iluminados pela aurora boreal.

Durante décadas, chegar à Gronelândia implicava viagens longas e complexas, com voos indiretos. Esse cenário está a mudar. No final de 2024, a capital, Nuuk, inaugurou um aeroporto internacional, um projeto há muito aguardado, que marcou um novo passo na abertura da ilha ao exterior.

Estão previstos mais dois aeroportos internacionais: em Qaqortoq, no sul, e em Ilulissat, no oeste da Gronelândia, principal polo turístico do território.

O gelo património da humanidade

Ilulissat é um porto de pesca de alabote e camarão, encaixado numa baía rochosa, e um dos locais mais impressionantes da ilha. Aqui, visitantes encontram pubs acolhedores e cervejas artesanais filtradas com gelo glaciar com dezenas de milhares de anos.

É também a porta de entrada para o Fiorde de Gelo de Ilulissat, Património Mundial da UNESCO. Neste cenário quase irreal, icebergues com dimensões comparáveis a arranha-céus desprendem-se da calota polar e deslizam lentamente pela Baía de Disko.

Pequenas embarcações levam os visitantes a navegar entre estes gigantes de gelo, sempre a uma distância segura.

Baleias e tradições ancestrais

A Baía de Disko é ainda território de baleias. Entre junho e setembro, baleias-de-bossa, baleias-comuns e baleias-minke alimentam-se nestas águas ricas em plâncton, tornando a observação de cetáceos uma das grandes atrações da região.

Na Gronelândia, a relação com a natureza é também alimentar. O mattak, feito de pele e gordura de baleia, continua a ser uma iguaria tradicional. As comunidades inuit dispõem de quotas para a caça de espécies como narvais, bois-almiscarados, caribus e, em casos muito controlados, ursos polares, práticas profundamente ligadas à cultura e à sobrevivência no Ártico.

Alterações climáticas, aquecimento e degelo

Em 2025, o Ártico registou o ano mais quente de sempre. Os dados são da agência norte-americana de observação oceânica e atmosférica, que traça um quadro alarmante desta região particularmente vulnerável aos efeitos das alterações climáticas.

A extensão do gelo no Ártico e na Antártida está a atingir mínimos históricos, de acordo com outros dados recolhidos no relatório do Serviço de Monitorização Marinha do programa europeu Copernicus.