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"Comecei a voar pela carruagem, parecia um carrossel": sobrevivente do acidente em Espanha descreve "inferno"

Santiago Salvador viajava no comboio da empresa pública Renfe que colidiu contra as composições descarriladas do comboio empresa privada Iryo. Ficou ferido com uma perna partida e escoriações.

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Um dos sobreviventes do descarrilamento de dois comboios em Adamuz, Espanha, conta que passou por "um inferno".

"Foi um acidente muito trágico, parecia um inferno", afirma o jovem que nas redes sociais se apresenta como natural de Buenos Aires a viver em Vila Real de Santo António, onde frequentou o ensino secundário.

Santiago Salvador viajava no comboio da empresa pública Renfe que colidiu contra as composições descarriladas do comboio empresa privada Iryo.

"Estava com a minha namorada e comecei a voar pela carruagem, parecia que estava num carrossel", descreve o jovem num vídeo partilhado no Instagram, filmado numa cama de hospital.
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Santiago Salvador ficou ferido sem gravidade, partiu dois ossos da perna, tíbia e perónio, e ficou com escoriações. "Por sorte estou vivo e a minha namorada também está bem, foi uma força divina, um milagre estar vivo (...) vi muita morte" e muitas pessoas feridas com gravidade, conta.

Pelo menos 41 mortos e 39 feridos hospitalizados

O número de mortos no acidente de comboio em Adamu subiu esta terça-feira para 41, podendo ser revisto nas próximas horas uma vez que foram localizados outros três corpos entre os destroços do comboio Alvia.

Há mais de 120 feridos dos quais 39 feridos continuam hospitalizados, incluindo 13 - um deles menor de idade - na Unidade de Cuidados Intensivos.

Dois portugueses que estiveram envolvidos no acidente e estão bem, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros.

O acidente ocorreu pelas 19h45 de domingo (18h45 em Lisboa), no município de Adamuzm, na província de Córdova, e envolveu dois comboios de alta velocidade, um da Iryo (que tinha saído de Málaga e tinha como destino Madrid) e outro da Renfe (que seguia em sentido contrário, de Madrid para Huelva).

Os três últimos vagões do comboio Iryo descarrilaram e invadiram outra via onde circulava o comboio da Renfe, num local conhecido como o apeadeiro de Adamuz.

Com a colisão, os dois primeiros vagões do comboio da Renfe foram projetados e caíram por um aterro de cerca de quatro metros.

O Governo espanhol decretou três dias de luto nacional, entre esta terça e quinta-feira.

O primeiro-ministro, Pedro Sánchez, prometeu tornar públicas, "com transparência e claridade", as conclusões da investigação do acidente.