O governador do Minnesota, Tim Walz, denunciou, este sábado, "mais um tiroteio horrível por agentes federais", apelando ao Presidente Donald Trump para acabar com a operação anti-imigração e retirar "milhares de agentes violentos" daquele estado norte-americano. Mais tarde, o chefe da polícia local, Brian O'Hara, confirmou a morte de um homem na sequência do incidente.
"Acabei de falar com a Casa Branca após mais um tiroteio horrível por agentes federais esta manhã. O Minnesota está farto. Isto é repugnante", escreveu o governador democrata na rede social X.
O Presidente dos Estados Unidos, o republicano Donald Trump, "tem de acabar com esta operação", defendeu, apelando: "Retirem os milhares de agentes violentos e sem formação do Minnesota. Agora".
Pouco antes, a autarquia de Minneapolis afirmou na mesma rede social que tinha conhecimento de "novos tiroteios envolvendo forças federais" perto de um cruzamento nesta grande cidade do norte dos Estados Unidos, que tem sido abalada desde há várias semanas por manifestações contra a presença da polícia anti-imigração (ICE).
Vítima teria arma em sua posse
A porta-voz do Departamento de Segurança Interna, Tricia McLaughlin, disse à AP, através de mensagens de texto, que a pessoa tinha uma arma de fogo com dois carregadores e que a situação estava "em evolução".
Agentes do ICE teriam ordenado à polícia do Minnesota que abandonasse o local, no sul da cidade, mas O'Hara recusou, segundo o jornal The Minnesota Star, citado pela agência Europa Press.
O chefe da polícia ordenou aos agentes que guardassem o local, cancelou todas as licenças e chamou todos os agentes para trabalhar, exceto os do turno da noite.
Várias testemunhas já foram levadas para a sede da administração estadual.
Agentes do Departamento de Apreensão Criminal do Minnesota já estavam a caminho do local do incidente.
Um vídeo que circula nas redes sociais mostra o momento dos disparos.
Na sexta-feira, milhares de pessoas saíram às ruas de Minneapolis para denunciar abusos cometidos nas últimas semanas nas operações do ICE, depois de um agente federal ter disparado e matado a cidadã norte-americana Renee Nicole Good a 07 de janeiro.
Esta mobilização foi enquadrada num grande dia de protesto em que os organizadores apelaram a uma greve - laboral, escolar e de consumo - "para se opor unidamente às ações do governo federal contra o estado", dentro do movimento de protesto 'ICE Out for Good' ('ICE Fora de Vez'), que abrange mais de uma centena de organizações como sindicatos, grupos de direitos civis e entidades religiosas.
Manifestantes exigem saída do ICE
Os organizadores exigiram a saída do ICE do estado do Minnesota, a abertura de processos legais contra o agente que matou Renee Good, o fim do financiamento do ICE nos próximos orçamentos federais e uma investigação "por violações constitucionais e humanas dos americanos e dos nossos vizinhos."
Além disso, instaram as empresas a cessarem as suas relações económicas com o organismo federal.
Os manifestantes tiveram de enfrentar uma vaga de frio que varreu os Estados Unidos e causou temperaturas de 23 graus Celsius negativos.
"Estão -23 graus e milhares de pessoas ainda apareceram em massa em Minneapolis. É assim que somos", disse o presidente da câmara da cidade, Jacob Frey, que demonstrou o seu apoio às mobilizações.
O governo liderado por Donald Trump lançou a operação anti-imigração 'Metro Surge' em dezembro passado no Minnesota, que o ocupante da Casa Branca justificou sob a alegação de um aumento da criminalidade.
"Os habitantes do Minnesota querem mesmo viver numa comunidade onde há milhares de condenados por assassinos, traficantes e toxicodependentes, violadores, prisioneiros violentos libertados e fugitivos?" questionou.
As ações dos agentes, como a morte de Good ou, já esta semana, a detenção de um menino de 05 anos, provocaram indignação entre a população do estado.
Com Lusa