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China pirateou telemóveis de assessores de três primeiros-ministros britânicos durante anos

 A operação pode ter acedido a mensagens de texto e chamadas envolvendo membros importantes do governo, chegando diretamente ao coração de Downing Street. A revelação surge vésperas da primeira visita de Keir Starmer à China em oito anos, numa altura em que o Reino Unido aprovou planos para uma nova embaixada chinesa em Londres, apesar dos alertas dos serviços de informações britânicos.

China pirateou telemóveis de assessores de três primeiros-ministros britânicos durante anos
Matt Dunham

A China pirateou durante anos os telemóveis de altos funcionários da residência oficial e gabinete de três primeiros-ministros britânicos, revelou o The Telegraph.

Os piratas informáticos ao serviço de Pequim, adiantou o jornal, terão colocado escutas nos telefones de alguns dos assessores mais próximos dos ex-primeiros-ministros Boris Johnson, Liz Truss e Rishi Sunak, entre 2021 e 2024.

Fontes citadas pelo The Telegraph indicaram que a espionagem chinesa atingiu "diretamente o coração de Downing Street" e pode ter acedido a mensagens de texto ou chamadas envolvendo membros importantes do governo, embora não especifique se o ataque também afetou os antigos chefes do governo.

Outras fontes dos serviços de informações norte-americanos terão dito ao jornal que a operação de espionagem chinesa, apelidada de "Operação Tufão de Sal", ainda estava em curso, aumentando a possibilidade de também terem sido expostos o atual primeiro-ministro, Keir Starmer, e a sua equipa.

A investigação do The Telegraph surge um dia antes da viagem de Starmer à China, a primeira visita à potência asiática por um chefe de Estado britânico em oito anos, para explorar novas relações comerciais e de investimento.

Na semana passada, o governo britânico aprovou os planos para uma futura embaixada chinesa no coração da zona histórica Londres, apesar dos alertas dos serviços de informações britânicos (MI5, MI6) sobre os potenciais riscos de espionagem devido à sua localização estratégica perto de redes de comunicação sensíveis.

O MI5 emitiu um "alerta de espionagem" ao Parlamento em novembro sobre a ameaça do Estado chinês.


Com LUSA