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Rutte afirma que Europa precisa do apoio dos EUA enquanto França e Dinamarca defendem autonomia militar

O secretário-geral da NATO afirma que a Europa não tem condições para se defender sem os Estados Unidos. Contudo, surgem cada vez mais vozes na Europa a defender o contrário, sobretudo após as ameaças norte-americanas em relação à Gronelândia e depois de Donald Trump ter afirmado que os europeus nunca se sacrificaram pela segurança da Aliança Atlântica.

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A ameaça norte-americana à Gronelândia e a desconsideração de Donald Trump, que ignorou a presença militar europeia em contingentes da NATO, continuam a causar indignação junto dos líderes do continente europeu e a suscitar a ideia de uma Europa independente ao nível da defesa.

Visto como próximo de Donald Trump, o secretário-geral da NATO insistiu, no Parlamento Europeu, que a Europa não será capaz de se defender sozinha sem o apoio militar dos Estados Unidos.

"E se alguém aqui ainda pensa que a União Europeia ou a Europa, no seu conjunto, se podem defender sem os Estados Unidos, continue a sonhar. Não é possível. Nós não conseguimos, precisamos uns dos outros. Mas, para a Europa, se realmente quiserem seguir sozinhos, e aqueles de vós que defendem isso, esqueçam que alguma vez lá chegarão com 5%. Terá de ser 10%. Terão de construir a vossa própria capacidade nuclear. Isso custa milhares e milhares de milhões de euros. Nesse cenário, perderiam o garantidor supremo da nossa liberdade, que é o guarda-chuva nuclear dos EUA. Portanto, boa sorte", afirmou Mark Rutte, secretário-geral da NATO.

Mas nem todos os países têm tanta certeza. Na rede social X, o ministro dos Negócios Estrangeiros francês respondeu a Mark Rutte, dizendo que os europeus podem e devem assumir a responsabilidade pela sua segurança.

"Não, senhor Mark Rutte. Os europeus podem e devem assumir a responsabilidade pela sua própria segurança. Até os Estados Unidos concordam. É o pilar europeu da NATO", declarou o chefe da diplomacia francesa, Jean-Noël Barrot, na rede social X.

Dinamarca defende Europa autosuficiente

E perante as ameaças agora aparentemente aplacadas contra o território da Gronelândia, seis países europeus, entre os quais a Alemanha e a Dinamarca, assinaram um pacto energético na Cimeira do Mar do Norte, com claros recados para os Estados Unidos em matéria de defesa.

"Uma Europa que depende dos outros é uma Europa mais frágil. Temos de construir uma Europa muito mais forte. Para chegar lá, precisamos de nos tornar mais autosuficientes, mais competitivos e mais independentes", disse Mette Frederiksen, primeira-ministra da Dinamarca.

Em sentido contrário e numa Europa a várias vozes, o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão anunciou que em breve a NATO deverá juntar-se a uma missão militar no Ártico liderada pelos Estados Unidos.