Tetsuya Yamagami, condenado por ter assassinado a tiro o ex-primeiro-ministro do Japão Shinzo Abe em julho de 2022, recorreu da pena de prisão perpétua a que foi condenado, avançou esta quarta-feira a imprensa nipónica.
Em 21 de janeiro, o Tribunal Distrital de Nara, uma cidade situada perto de Quioto, considerou o homem culpado de disparar em 2022 contra o ex-líder japonês com uma arma caseira.
Yamagami foi condenado a prisão perpétua a 21 de janeiro pelo juiz Shinichi Tanaka, que condenou como "desprezível e extremamente malicioso" o homicídio, durante um comício de campanha, em Nara.
No início do julgamento, em outubro, Yamagami, de 45 anos, confessou ter matado o ex-dirigente - que tinha deixado o cargo dois anos antes.
Os principais meios de comunicação japoneses, incluindo as agências de notícias Kyodo News e Jiji Press, o jornal Mainichi Shimbun, e a emissora regional MBS, referiram que os advogados de Yamagami apresentaram esta quarta-feira um recurso.
A condenação de prisão perpétua deixa em aberto a possibilidade de liberdade condicional, embora, na prática, muitos morram sob custódia, de acordo com especialistas.
O assassínio de Shinzo Abe provocou um trauma num país onde crimes com armas de fogo são extremamente raros.
O agressor teve como alvo Abe pelos supostos laços com a Igreja da Unificação, também conhecida como 'Moonies', algo que levou ao escrutínio das práticas da organização religiosa, acusada de exercer pressão financeira sobre os seguidores e de ter fortes ligações ao mundo político japonês.
Fundada em 1954 na Coreia do Sul por Sun Myung-moon, a organização rapidamente se aproximou dos intervenientes do palco político, com Moon a associar-se a chefes de Estado estrangeiros, como o ex-presidente dos EUA, Richard Nixon. Shinzo Abe chegou a discursar em eventos organizados por grupos ligados à Igreja da Unificação.
A investigação revelou laços estreitos entre a Igreja da Unificação e vários membros do Partido Liberal Democrático (PLD, nacionalista de direita) no Japão, levando à renúncia de quatro ministros na época.
Uma investigação interna do PLD, em setembro de 2022, mostrou que metade de 379 membros do Parlamento na altura tinha ligações à Igreja da Unificação.
Em abril de 2025, um tribunal ordenou a dissolução da filial japonesa da organização, citando "danos sem precedentes" causados à sociedade nipónica.
O assassínio de Abe também sublinhou falhas no sistema de segurança, já que os agentes da polícia presentes não identificaram imediatamente o som do primeiro disparo, intervindo já tarde.
A tragédia levou ao endurecimento das leis de armas no Japão em 2024. Partilhar instruções sobre fabricação de armas ou informações sobre a venda de armas nas redes sociais é punível com até um ano de prisão.
