O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o homólogo chinês, Xi Jinping, falaram esta quarta-feira, ao telefone, numa conversa que Washington considerou "extremamente boa" e Pequim disse mostrar confiança mútua.
Trump descreveu, na rede Truth Social, a conversa como "longa e minuciosa", indicando que foram abordados temas como comércio, defesa, Taiwan, guerra entre a Rússia e a Ucrânia, situação no Irão e também as compras chinesas de petróleo e gás aos Estados Unidos.
O Presidente norte-americano afirmou ainda que discutiu com Xi Jinping uma visita oficial à China em abril e o plano de Pequim para aumentar a compra de produtos agrícolas norte-americanos, incluindo um acréscimo de 20 milhões de toneladas de soja na atual colheita.
O plano mantém o compromisso da China de importar 25 milhões de toneladas anualmente desta leguminosa, vital para os agricultores norte-americanos do Midwest, até 2028.
Os meios de comunicação estatais chineses noticiaram que Xi disse a Trump que as diferenças bilaterais podem ser resolvidas através do "respeito mútuo".
"Abordando as questões uma a uma e construindo gradualmente a confiança mútua, podemos preparar um caminho adequado para a coexistência dos nossos dois países", afirmou Xi, citado pela agência noticiosa estatal Xinhua.
O líder chinês acrescentou esperar que 2026 seja um ano de avanço para o respeito mútuo, a coexistência pacífica e a cooperação vantajosa entre a China e os Estados Unidos enquanto grandes potências.
Xi Jing avisou ainda Trump de que os Estados Unidos devem "exercer cautela" em relação à venda de armas a Taiwan.
"A questão de Taiwan é o tema mais importante nas relações China-EUA. Taiwan faz parte do território chinês. A China deve defender a sua soberania e integridade territorial e nunca permitirá que Taiwan se separe da China. Os Estados Unidos devem ser cautelosos na questão da venda de armas a Taiwan", disse Xi, de acordo com a agência de notícias estatal chinesa Xinhua.
A ilha de Taiwan e a China continental estão politicamente separadas desde a Guerra Civil Chinesa, que terminou em 1949.
Pequim reivindica o território e afirma desejar "uma reunificação" pacífica, mas não descarta o uso da força para assumir o controlo da ilha.
A chamada aconteceu no mesmo dia em que Xi Jinping realizou uma videoconferência com o Presidente russo, Vladimir Putin, anunciada por Pequim horas antes.
Durante a chamada, discutiram a cooperação estratégica bilateral pouco antes do fim, na quinta-feira, do START III, o último tratado de desarmamento nuclear ainda em vigor entre a Rússia e os Estados Unidos.

