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Governo da Venezuela reuniu-se com oposição para diálogo político

A reunião, proposta pela presidente interina, teve o objetivo de "consolidar uma agenda de trabalho" para "fortalecer a paz" e a "sobenaria" da Venezuela. A coligação de María Corina Machado não foi convidada a participar.

Governo da Venezuela reuniu-se com oposição para diálogo político
CRISTOBAL HERRERA-ULASHKEVICH | Lusa

O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, anunciou que membros do Governo interino reuniram-se com representantes de partidos da oposição para iniciar um diálogo político, proposto pela presidente interina, Delcy Rodríguez.

O deputado afirmou que o diálogo visa resolver problemas específicos, alcançar "vitórias rápidas" e encontrar mecanismos de participação política "com garantias suficientes" para que "qualquer pessoa que se queira empenhar na política" o possa fazer sem obstáculos.

Horas antes, parte da oposição venezuelana - onde se inclui Henrique Capriles, que por duas vezes foi candidato presidencial - informou que aceitou um convite de Delcy Rodríguez para iniciar um processo de diálogo.

"Fortalecer a paz" e a "soberania"

Numa mensagem publicada na plataforma Telegram, na passada quarta-feira, Jorge Rodríguez explicou que a reunião serviu para "consolidar uma agenda de trabalho" para a Comissão para a Coexistência Democrática e a Paz.

O presidente do parlamento acrescentou que a reunião teve como objetivo definir uma agenda para "fortalecer a paz" e a "soberania" da Venezuela, sem adiantar mais pormenores.

A oposição sublinhou que sete movimentos políticos, incluindo o partido União e Mudança, de Henrique Capriles, aceitaram o convite de Delcy Rodríguez para discutir os problemas dos cidadãos.

"Decidimos assistir com responsabilidade. Participar neste espaço não é um gesto qualquer, muito menos confortável, mas chegamos a este momento com uma Venezuela profundamente ferida", afirmou a oposição, num comunicado publicado pelo deputado Stalin González, chefe da bancada parlamentar Liberdade, na rede social X.

O grupo da oposição afirmou que a convivência democrática exige respeito, pluralidade e o fim de práticas que têm alimentado "o medo, a perseguição e a existência de presos políticos".

"Um bom começo pode ser a lei de amnistia, que permita avançar para a reconciliação nacional", acrescentou.

Presidente quer diálogo 'venezuelano' sem "ordens externas de Washington"

Em 30 de janeiro, a presidente interina anunciou a proposta de uma lei de amnistia para libertar os presos políticos detidos desde 1999 até à atualidade, período que abrange os governos do chavismo, embora de momento se desconheçam os detalhes.

Em 23 de janeiro, Delcy Rodríguez propôs que se convoque a um "verdadeiro diálogo político" que inclua tanto setores políticos "convergentes" como "divergentes", uma tarefa que atribuiu ao irmão e presidente do parlamento, Jorge Rodríguez.

A presidente interina pediu então que esse diálogo tenha "resultados concretos, imediatos" e que seja venezuelano, ou seja, no qual "não se imponham mais as ordens externas, nem de Washington, nem de Bogotá, nem de Madrid".

A reunião não incluiu a maior coligação de oposição da Venezuela, liderada por María Corina Machado, que mantém a exigência de reconhecimento da vitória de Edmundo González Urrutia nas presidenciais de julho de 2024, contra Nicolás Maduro.