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"Justiça por Orelha": morte de cão gera revolta no Brasil

Um grupo de adolescentes é suspeito das agressões que mataram Orelha, um cão comunitário que vivia há 10 anos na Praia Brava, em Florianópolis. De acordo com as autoridades, os mesmo jovens teriam tentado afogar outro animal. Desde que o caso se tornou público, moradores organizaram manifestações e as redes sociais pedem “#JustiçaPorOrelha”.

Orelha
Orelha
Reprodução/Redes sociais

Orelha era um símbolo da Praia Brava, em Florianópolis, no estado de Santa Catarina (Brasil). O cão comunitário foi, ao longo dos últimos 10 anos, acarinhado e alimentado de forma espontânea pela própria população. Mas, no dia 4 de janeiro, foi alvo de agressões que culminaram na morte do animal.

Segundo o portal g1, a Polícia Civil identificou, com base na análise de câmaras de segurança e relatos de moradores, pelo menos quatro adolescentes suspeitos de estarem envolvidos nos ataques a Orelha. Três adultos - pais e tios de um dos jovens - são suspeitos de coação contra uma das testemunhas do caso.

O animal foi encontrado com vida, mas caído e fragilizado, um dia depois das agressões. Foi levado para uma clínica veterinária, porém, devido à gravidade dos ferimentos, a eutanásia foi a única alternativa.

De acordo com as autoridades, o mesmo grupo de adolescentes também teria tentado afogar outro cão comunitário da Praia Brava, chamado Caramelo, que convivia regularmente com Orelha.

Protestos nas ruas e nas redes

Apesar dos ataques terem acontecido no início do ano, o caso só chegou ao conhecimento da Polícia Civil no dia 16 de janeiro. Desde que a morte se tornou pública, moradores, organizações e famosos começaram a manifestar-se nas redes sociais, com a hashtag "JustiçaPorOrelha".

Os protestos foram levados para as ruas pelos residentes da Praia Brava, que já realizaram duas ações públicas que reuniram dezenas de pessoas.

"Orelha fazia parte do cotidiano do bairro há muitos anos e era cuidado espontaneamente pela comunidade, tornando-se num símbolo simples, porém muito querido, da convivência e da relação de cuidado que muitos mantém com o espaço e com os animais que vivem aqui", refere em comunicado a Associação de Moradores da Praia Brava.

IRA diz que é preciso “educar para prevenir”

O IRA - Intervenção e Resgate Animal, associação não governamental portuguesa dedicada à proteção e defesa dos animais, solidarizou-se com o caso. Numa publicação nas redes sociais, a entidade diz que a morte do animal resulta da "ausência de educação, empatia e valores".

"Quando ensinamos uma criança a respeitar um animal, não estamos apenas a falar de cães ou gatos. Estamos a ensinar empatia, responsabilidade, limites e humanidade. Estamos a prevenir que cresçam a achar normal magoar quem é mais fraco, quem não se pode defender, quem depende de nós."