A crise provocada pelo bloqueio dos cereais ucranianos e a permanente ameaça nuclear da Rússia em análise pelo comentador da SIC, Germano Almeida.
EUA acreditam que Rússia está a roubar cereais da Ucrânia
O chefe da diplomacia norte-americana, Antony Blinken, considerou, esta segunda-feira, “credível” a informação segundo a qual a Rússia “rouba” as exportações de cereais ucranianos, bloqueadas por causa do conflito, “para vendê-los para seu próprio lucro”.
Nas Nações Unidas, o presidente do Conselho Europeu Charles Michel acusou Moscovo de provocar a atual crise alimentar.
O embaixador russo na ONU abandonou a reunião do Conselho de Segurança por considerar demasiado “rudes” os comentários feitos por Charles Michel.
“A Rússia tem é de mudar de posição”, considera o comentador da SIC.
Acordo para o transporte de cereais ucranianos
A Rússia e a Turquia chegaram a um acordo preliminar, com mediação da ONU, para exportar os cereais ucranianos através de um corredor marítimo, mas a Ucrânia não o reconhece, não participou nas negociações porque não está de acordo com os pontos.
“A questão está na desminagem da costa ucraniana para que os navios ucranianos possam transportar os cereais (…) Putin concorda mas os ucranianos receiam que esse processo de desminagem seja aproveitado pela Rússia para, na verdade, atacar Odessa”, diz Germano Almeida.
Preços do petróleo e do gás: Rússia espera receber 10 mil M€
Com o aumento do preço dos combustíveis, apesar das sanções “o Ministério das Finanças russo espera embolsar, entre maio e junho, um valor extra nas exportações na ordem dos 656 mil milhões de rublos, 9,6 mil milhões de euros”, explica Germano Almeida.
“Estes valores ajudam-nos a perceber como a Rússia consegue continuar esta guerra, apesar das sanções”.
Kremlin quer falar de armas nucleares com Washington
O porta-voz Peskov diz que o Kremlin está interessado em falar sobre armas nucleares com os EUA.
“Um tema que interessa à Rússia agitar porque, enquanto vemos no terreno dificuldades da Rússia consumar o seu plano, percebemos que a Rússia, do ponto de vista convencional, vai demorar muito tempo a ganhar esta guerra, se algum dia vai conseguir ganhar, enquanto isso interessa-lhe manter esta ameaça e influenciar decisões internacionais”, conclui.
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