Guerra Rússia-Ucrânia

Compreender o conflito (VIII): o sonho europeu de Kiev

Artigo de Germano Almeida, comentador SIC.

Compreender o conflito (VIII): o sonho europeu de Kiev

Cinco pontos para percebermos o que está a acontecer no Leste da Europa – e o que pode mudar na vida de todos nós:

1 – PRESIDENTE DA UCRÂNIA ASSINOU PEDIDO DE ADESÃO À UE. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, assinou pedido formal para a entrada do país na União Europeia (UE). “É um momento histórico”, lê-se numa mensagem do Parlamento ucraniano, divulgada pela rede Telegram. A Comissão Europeia abriu a porta à entrada da Ucrânia na UE, mas lembrando que o processo é longo, apesar do pedido de Kiev de um procedimento especial para integrar o país “sem demora”. “Temos muitos tópicos em que estamos a trabalhar em estreita colaboração e, com o tempo, queremos que eles estejam dentro” da UE, disse a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, numa entrevista à Euronews no domingo. Na resposta, Volodymyr Zelensky instou a UE a integrar o seu país “sem demora”. “Estamos a dirigir-nos à União Europeia sobre a integração imediata da Ucrânia através de um novo procedimento especial. Tenho a certeza que é possível”, declarou numa mensagem vídeo.

2 – MOSCOVO DIZ QUE AÇÕES DA RÚSSIA NA UCRÂNIA ESTÃO A SER “DISTORCIDAS”. Na Assembleia Geral da ONU, o embaixador da Rússia, Vasily Nebenzya, voltou a responsabilizar a Ucrânia pela crise e afirmou que os russos não estão dispostos a dialogar. “A raiz da atual crise reside nas ações da Ucrânia, que durante muitos anos, sabotou e desrespeitou as suas obrigações diretas definidas no acordo de Minsk”, disse Nebenzya. “Por muitos anos sabotaram e não cumpriram as obrigações diretas do acordo de Minsk. Recentemente havia a esperança de que em Kiev reconsiderassem e que de facto cumprissem o que eles assinaram”, atirou Vassily Nebenzia. “A Rússia tinha direito a proteger os residentes de Donbass”.

3 – ATAQUE COM ROCKETS E KHARKIV ATINGIU BLOCO DE APARTAMENTOS E FEZ DEZENAS DE MORTOS. Um ataque com rockets nos arredores de Kharkiv, no leste da Ucrânia, terá feito de dezenas de mortos e centenas de feridos. Os rockets russos destruíram blocos de apartamentos. A informação foi dada pelo assessor do Ministério do Interior ucraniano: “Kharkiv acaba de ser atacado massivamente por (rockets) lançados pro veículos Grads. Há dezenas de mortos e centenas de feridos”, disse Herashchenko, num post no Facebook. A invasão militar lançada pela Rússia na Ucrânia está a tornar-se cada vez “mais brutal” – advertiu o chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Josep Borrell, nesta segunda-feira, denunciando o alto número de vítimas civis. “A campanha militar russa torna-se cada dia mais brutal, e as forças ucranianas respondem com coragem. Kiev resiste, assim como Mariupol e Kharkiv”, declarou Borrell.

4 – “NADA PODE JUSTIFICAR O USO DE ARMAS NUCLEARES”. António Guterres, Secretário-Geral da ONU, enviou forte recado à Rússia. “Esta pode ser a pior crise humanitária e de refugiados em décadas”. Guterres teme que a crise que originou a guerra entre a Ucrânia e a Rússia possa “multiplicar” o número de refugiados e de deslocados internos. Para já, o número de deslocados, só nestes cinco dias, já passou o meio milhão.                                                                                             

5 – MAIS DE 17 MILHÕES DE EUROS DE DONATIVOS EM CRIPTOMOEDAS. A Ucrânia já angariou mais de 17 milhões de euros em donativos pagos em criptomoedas. O Governo ucraniano fez no sábado um apelo no Twitter a donativos em carteiras de criptomoedas e já recebeu desde aí milhares de transferências. O Governo de Kiev e várias organizações não governamentais (ONG) já asseguraram pelo menos 20 milhões de dólares (17,7 milhões de euros ao câmbio atual) em donativos pagos em criptomoedas, como a Bitcoin e a Ethereum. De acordo com a mesma empresa, a ONG ucraniana Come Back Alive também assegurou vários milhões de dólares em donativos, entre os quais se incluiu uma transferência única em Bitcoin no valor de três milhões de dólares.

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