No dia em que a Finlândia confirmou que vai avançar com a sua candidatura à NATO, a Moscovo reagiu dizendo que a se trata de “uma ameaça” à Rússia. Os comentadores da SIC José Milhazes e Nuno Rogeiro analisam o impacto que esta decisão tem no conflito na Ucrânia.
“A entrada da Finlândia na NATO é a maior derrota estratégica da Rússia desde 1945, quando ainda era União Soviética”, afirma Nuno Rogeiro, sublinhando que esta entrada para o Tratado do Atlântico Norte depende de uma aprovação por unanimidade dos países que integram a organização.
Sobre a resposta russa, José Milhazes critica a banalização das ameaça nuclear: “Começa-se a repetir a ameaça nuclear como se isto fosse uma banalidade, como se as armas nucleares fossem uma banalidade, que se podem utilizar se mais nem menos, como outro tipo de armamentos e que não são armas que podem pôr fim a toda a humanidade.”
Já Rogeiro não interpretou nas palavras dos representantes russos uma “referência exata a armas nucleares”. “O que ouvi foi dizer que se determinadas infraestruturas da NATO forem colocadas na Finlândia haverá um estudo e uma resposta – como eles dizem – técnico-militar em relação ao assunto”, prossegue.
“Mas a verdade é que a Finlândia não é propriamente um dragão de papel. É um Estado bem defendido, baseado numa espécie de exército de voluntários, que serve como guarda territorial, e de um bem treinado exército nuclear, muito bem armado também.”
Para Milhazes, a adesão da Finlândia e posteriormente da Suécia “foi provocada por Putin”. “Isso é que torna absolutamente caricatos aqueles pretextos russos para a guerra, que era o alargamento da NATO. Isto transforma tudo numa afirmação absurda, porque Putin provocou o alargamento da NATO. E provocou a países que ninguém imaginava que iam fazer parte da NATO”, afirma.
Milhazes destaca ainda a intenção do Papa Francisco de ir a Moscovo para reunir com Vladimir Putin, sublinhando que a igreja Ortodoxa russa “está perentoriamente contra” esta viagem
Rogeiro anuncia que está em curso uma “negociação para libertar 38 pessoas do estaleiro metalúrgico de Azovstal, essencialmente médicos e alguns feridos”, ressalvando que “o líder da chamada República Popular de Donetsk já veio dizer que militares não saem de Azovstal e serão todos levados a tribunal marcial”.
CONFLITO RÚSSIA-UCRÂNIA
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