Medo e vergonha é o que Chongly Thao, de 56 anos, diz que sentiu quando os agentes do ICE, de armas em punho, arrombaram a porta de casa, o algemaram e arrastaram para a neve quase nu.
"Eles levaram-me lá para fora sem roupa, só com um cobertor do meu neto. Taparam-me e levaram-me para o carro. Não disseram qual era o problema. De repente, tentaram tirar-me uma foto mas eu não quis", contou Chongly Thao.
Natural de Laos, Thao é cidadão americano há décadas. Foi com os pais para os EUA com apenas quatro anos. Ao contrário do que os agentes que o detiveram suspeitavam, Thao não tem antecedentes criminais.
O Departamento de Segurança Interna dos EUA diz que a operação do ICE na casa de Thao foi direcionada em busca de dois criminosos sexuais condenados.
"Eles não disseram nada. Não pediram desculpa nem nada. Só disseram: "Está tudo em ordem" e, foram-se embora", disse Chongly Thao.
Este caso é só mais um no Estado do Minnesota, para onde cerca de 1.500 soldados poderão vir a ser mobilizados com o objetivo é controlar as manifestações contra as operações do ICE.
O Departamento de Justiça dos EUA está a investigar um grupo de manifestantes que interrompeu os serviços religiosos numa igreja onde um dos agentes de imigração é pastor.
"Justiça para Renee Good! Justiça para Renee Good! Tenham vergonha! Tenham vergonha! Esta é a casa de Deus!", é o que se ouve num vídeo.
As manifestações multiplicam-se quase na mesma medida dos vídeos que vão sendo partilhados nas redes sociais sobre a abordagem dos agentes do ICE, durante as operações.
Os métodos utilizados pelos agentes mascarados e, por vezes, fortemente armados, enfrentam uma crescente desaprovação pública.
A secretária da Segurança Interna já veio garantir que as operações vão continuar até que todos os indivíduos perigosos sejam detidos, levados à justiça e deportados para os países de origem.