
José Eduardo dos Santos tem 79 anos e foi presidente de Angola durante quase 40 anos. Esta terça-feira, deu uma queda na sua residência em Barcelona, tendo ficado em estado grave no hospital. Lembramos o percurso do engenheiro que se tornou o segundo Presidente mais tempo no poder.
Enigmático, dava poucas entrevistas. Delegava quase sempre a presença em eventos internacionais. Os críticos garantem que a discrição e inacessibilidade foram as chaves para longevidade no poder.
Foi criticado por ter um estilo de vida faustoso e extravagante. Mas tinha origens modestas: filho de um pedreiro e de uma domestica, nasceu em 1942 num dos bairros mais pobres de Luanda.
Entra na politica ainda no liceu. Primeiro em grupos clandestinos, mais tarde no recém-formado MPLA, onde chega a integrar o braço armado do partido. Com o inicio da guerra colonial, parte para o exílio na republica do congo.
Em 1963 muda-se para a então União Soviética. É lá que estuda engenharia petrolífera e conhece aquela que viria a ser a primeira mulher, e a mãe de Isabel dos Santos.
O inicio dos anos 70 marca a ascensão meteórica no poder. Em 1974 é chamado para o comité central do MPLA e em 1979 sucede a Agostinho neto, que morre em Moscovo.
Do primeiro Presidente de Angola herda uma violenta guerra civil, que só termina em 2002 com a morte do líder histórico da UNITA. No final do conflito, Angola renasce das cinzas e torna-se uma das maiores potências de África.
Mas a cúpula liderada por José Eduardo dos Santos não aproveita o boom económico para inverter o ciclo de pobreza que grassa no país. Foi acusado de autoritarismo e de perseguir opositores, de enriquecer a própria família, graças a décadas de corrupção.
Quase 40 anos depois de ter chegado ao Palácio da cidade alta, José Eduardo dos Santos anuncia a retirada da politica. Deixou o país com 40% da população na miséria e com uma fortuna avaliada em mais de 20 mil milhões de dólares.
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