Juan Carlos regressa esta quinta-feira a Espanha, depois de dois anos exilado nos Emirados Árabes Unidos. O monarca espanhol deixou o país após ter estado envolvido num escândalo financeiro.
É a primeira vez em dois anos que Juan Carlos regressa a Espanha. Desde 2020 que o rei emérito vive exilado em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.
Saiu de Espanha devido a suspeitas de estar envolvido em casos de corrupção e desvio de fundos.
Em causa, o recebimento de 65 milhões de euros em comissões para a construção do comboio de alta velocidade Medina-Meca doações não declaradas e fundos em paraísos fiscais.
Os três casos já foram arquivados pela justiça espanhola, ou seja, o monarca já não corre o risco de ser preso.
Juan Carlos vai estar em Espanha quatro dias. Os três primeiros serão passados na Galiza, onde vai participar nas regatas de barco à vela. Com o filho, Felipe VI, só se encontra na segunda-feira, o mesmo dia em que regressa a Adu Dhabi.
Juan Carlos abdicou do trono em 2014, depois de escândalos de corrupção e de indícios de infidelidade.
Debate político
O regresso de Juan Carlos a Espanha volta a criar um intenso debate político no país sobre a sua figura, assim como o papel da monarquia.
Depois da decisão em 2 de março passado do Ministério Público de encerrar o caso, o rei emérito escreveu ao filho, Felipe VI, cinco dias depois, para expressar o seu desejo de regressar a Espanha e “lamentar sinceramente” a forma como conduziu a sua vida privada.
No dia seguinte à divulgação da carta, Pedro Sánchez, insistiu que, na sua opinião, Juan Carlos devia dar uma explicação ao povo espanhol pelas suas atividades económicas que o colocaram no centro das atenções da Justiça e que considerou serem “dececionantes”.
A porta-voz do executivo espanhol, Isabel Rodríguez, disse esta semana, depois de saber que o rei emérito iria viajar para Espanha, que as “considerações” feitas pelo chefe do executivo “são tão válidas hoje como eram ontem”, deixando claro que o Governo nada tem a dizer sobre a “decisão pessoal” de Juan Carlos de visitar o país.
A secretária-geral adjunta do Partido Socialista (PSOE), Adriana Lastra, afastou qualquer envolvimento do Governo no regresso do rei emérito a Espanha, que considerou tratar-se de uma decisão pessoal que “nada tem a ver” com o executivo e sobre a qual “só a Casa Real se pode exprimir”.
“A informação que temos tido nos últimos anos sobre Juan Carlos “é muito preocupante para a instituição”, disse a ministra da Economia e número dois do Governo, a socialista Nadia Calviño.
O presidente do Partido Popular (direita), o principal da oposição, Alberto Núñez Feijóo, manifestou esta semana o seu apoio ao regresso do rei emérito, porque já não tem “casos pendentes”, pelo que tem “todo o direito de visitar Espanha”.
Os principais críticos de Juan Carlos e da instituição monárquica são os partidos de extrema-esquerda e as muitas formações regionais, principalmente as de cariz nacionalista e independentista, que se têm feito ouvir, principalmente pela sua presença assídua nos órgãos de comunicação social.
