Desde telemóveis e brinquedos a computadores portáteis e ferramentas elétricas, as baterias de iões de lítio estão em quase todos os objetos do dia a dia. Quando são deitadas no lixo comum ou na reciclagem mista, podem danificar-se durante o processamento e provocar incêndios.
A LionVision, uma empresa britânica apoiada pela Universidade de Manchester, desenvolveu um sistema com inteligência artificial capaz de identificar e remover baterias de lítio que vão parar ao lixo comum antes que estas possam causar problemas.
É que esta tecnologia presente em brinquedos, telemóveis ou cigarros eletrónicos estão a causar centenas de incêndios em centrais de reciclagem.
"A tecnologia moderna é fantástica.a reciclá-los sempre e que isso seja a pior coisa que se possa fazer com eles", diz Scott Butler, da Material Focus.
Segundo a Material Focus, organização que lidera no Reino Unido uma campanha para a reciclagem de produtos eletrónicos,há cada vez mais incidentes deste tipo nas centrais de triagem. No Reino Unido, os incêndios associados aos dispositivos de cigarros eletrónicos, baterias e aparelhos com pilhas internas aumentaram significativamente nos últimos anos.
Uma solução guiada por IA
Para reduzir o risco, a startup britânica LionVision desenvolveu um sistema de visão artificial com inteligência artificial (IA) que identifica e remove baterias perigosas dos resíduos antes que causem problemas.
“Estamos a utilizar um sistema de câmara montado acima de um tapete rolante, ligado a um computador que executa um algoritmo de aprendizagem automática capaz de reconhecer baterias e outros objetos perigosos”, explica George Hawkins, engenheiro da LionVision.
O sistema está instalado na central de reciclagem da SWEEEP Kuusakoski, em Sittingbourne, no sudeste de Inglaterra. A ferramenta, guiada por uma câmara, monitoriza continuamente os tapetes rolantes e, ao detetar uma bateria ou um vape, ativa uma barra ejetora de ar comprimido que retira o objeto do fluxo de resíduos.
A SWEEEP está a integrar esta tecnologia num processo de automatização mais amplo, com o objetivo de melhorar a segurança e aumentar o aproveitamento de materiais valiosos.
A LionVision desenvolveu a tecnologia com apoio da Universidade de Manchester e financiamento de inovação do Reino Unido.
Metais preciosos que acabam no lixo
A Material Focus estima que as famílias britânicas deitem fora cerca de 103 mil toneladas de produtos eletrónicos por ano, enquanto armazenam 880 milhões de artigos não utilizados. O desperdício equivale a quase mil milhões de libras em metais preciosos e críticos — ouro, paládio, lítio, cobalto e outros elementos usados na indústria tecnológica.
“A geopolítica está aqui em causa. Dentro da eletrónica existem materiais como o lítio, o cobalto e os metais tecnológicos. O acesso a estas terras raras está no centro de muitos conflitos, da Ucrânia à América Latina. E nós temos esses recursos nas ‘minas urbanas’ que nos rodeiam — e estamos a deitá-los fora, o que é uma loucura”, sublinha Butler.
O impacto da “tecnologia descartável”
A ascensão da chamada “tecnologia rápida” de baixo custo, como auscultadores, carregadores e vaporizadores descartáveis, está a agravar o problema. De acordo com a Material Focus, os britânicos compram mais de mil milhões destes artigos por ano, e mais de metade acaba no lixo comum.
“Chamamos a isto vapocalipse. Está a causar incêndios e riscos para trabalhadores e para o ambiente. Fomos apanhados de surpresa - agora precisamos de estar preparados para o próximo ‘vape’”, alerta Butler.
