Opinião

Quando a fome e o desespero se fazem à estrada

Jose Luis Gonzalez

Opinião de Teresa Canto Noronha

Os Estados Unidos e o México dizem que está em marcha 'a mãe de todas as caravanas' de migrantes.

Que há mais de 20 mil pessoas, em grupo, que se preparam para deixarem as Honduras a caminho do norte.

Fogem à fome.

A um futuro de miséria.

Vão em busca do eldorado americano.

Do sonho que a América do Norte continua a representar para quem tem pouco, ou nada.

Mas, ao contrário do que aconteceu durante séculos, o norte não os quer.

Ou, pelo menos, assim o afirma.

Washington expulsou mais de 76 mil pessoas, em Fevereiro.

Vai deportar 90 mil, este mês de março, e um total de 900 mil até ao final do ano.

Algumas já tinham casa e trabalho.

Contribuíam para a economia dos dólares.

Mas não tinham o mais importante: visto de permanência.

Todas as nações têm o direito de dizerem quem querem acolher.

Toda as nações têm o direito a negar a entrada a estrangeiros.

Todas as nações têm a obrigação de defererem os seus cidadãos. Seja da criminalidade, seja do desemprego.

Mas, as nações mais ricas, também têm a obrigação moral de cuidarem de quem é obrigado a abandonar o país onde nasceu sob pena de morrer à fome ou às mãos de gangues armados, da criminalidade organizada ou, até, de governos intolerantes.

Nem todos os migrantes serão refugiados, é verdade.

Mas muito são.

E, quando vemos as imagens de famílias inteiras que percorrem milhares de quilómetros com um saco às costas e as crianças nas mãos?

O que queremos que façam os nossos governos?

Que pensem, só, em nós?

Que fiquem indiferentes ao sofrimento de quem não teve a enorme sorte de nascer num país do chamado 'primeiro mundo'?

Ou que percebam que o 'primeiro mundo' também já foi o terceiro e que a história nos ensina tudo sobre ciclos?