Opinião

O elogio da simplicidade

A homenagem de Pedro Cruz a Zeca Mendonça, o histórico assessor do PSD.

Ana Maria Baião Correia

- «Quem era o Zeca Mendonça?»

perguntou, ontem, a minha mulher,

quando entrou no rodapé da SIC Notícias a frase de última hora

MORREU ZECA MENDONÇA, HISTÓRICO ASSESSOR DO PSD

e ela tinha razão.

Há uns milhares de pessoas no país que sabem muito bem quem foi.

E este texto serve, precisamente para dizer aos outros milhões, como era Zeca Mendonça.

A biografia não tem muitas entradas: segurança de Sá Carneiro em 1974, assessor de imprensa do PSD desde 1977 até ao ano passado, agora consultor do PR.

Três linhas.

O Zeca era um príncipe.

Um Gentleman;

Um sedutor;

Um Homem competente, dedicado e discreto

Um assessor que não atrapalhava, ajudava;

que não opinava, esclarecia;

que não discutia, respeitava;

que não se metia no trabalho dos jornalistas, observava.

O Zeca foi confidente de todos os líderes do PSD desde Sá Carneiro.

O Zeca estava sempre ali.

Atendia sempre o telefone e devolvia sempre as chamadas que não tinha conseguido atender;

O Zeca tinha sempre um sorriso, uns braços abertos, um olhar satisfeito.

O Zeca era encantador, incansável e discreto.

Sabia o que fazer e como o fazer sem dar nas vistas.

O Zeca era um exemplo.

O Zeca tinha sempre milhares de histórias para contar.

Relatos de situações que tinha passado e que contava com reserva mas com graça, leveza e rigor.

Muitas vezes o desafiei a deixar-me escrever-lhe as memórias.

Recusou sempre, com a delicadeza, o sorriso nos lábios e a leveza com que vivia.

Ainda assim, o Zeca dizia sempre que para ele não tinha havido «ainda» 25 de Abril.

Era uma piada.

Queria dizer que, mesmo depois de 74, ele continuava a ter «partido único».

O PPD/PSD.

O Zeca podia ter sido o que quisesse. Deputado, ministro, dirigente público, o que fosse.

Nunca quis ser.

Quis ser sempre o Zeca, quis ser sempre ele próprio.

Adeus, Zeca.

E obrigado pela memória que nos deixas.

Uma lição de simplicidade, desprendimento e uma vida dedicada a uma causa.

Tanto, tanto, tanto que esta gente que anda na política podia ter aprendido contigo.

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