Opinião

Trump pode salvar Assange

Julian Assange, foi preso na Grã-Bretanha a pedido dos Estados Unidos. É bem possível que, apesar da gravidade da revelação dos mais sensíveis segredos americanos, Trump tente impedir que o fundador da Wikileaks, vá a contas com a justiça.

A prisão de Julian Assange vem relevar a importância da investigação de Robert Mueller ao conluio entre a Rússia e a campanha de Donald Trump, nas eleições de 2016.

A acusação emitida por um grande júri há mais de ano e revelada hoje, acusa Assange de colaborar com um então analista dos serviços secretos do exercito americano para divulgar centenas de milhares de páginas de documentos secretos e, publicados estes na Wikileaks, ajudar o mesmo analista a violar uma palavra passe do sistema informático do Pentágono para furtar mais documentos secretos.

Esse grande júri foi criado para apreciar matéria criminal resultante da investigação de Mueller, da qual resultou o indiciamento de vários agentes secretos russos, por interferência nas eleições americanas de 2016. O libelo refere a colaboração entre os russos e a “Organização 1” que, de acordo com o jornal Washington Post, é a Wikileaks.

E Donald Trump adora a Wikileaks. Apesar de na quinta-feira (11 Abril) ter mentido sobre o assunto, há registos de vídeo da campanha eleitoral que provam o contrário.

Se Trump recear que um julgamento de Assange pode por em causa a legitimidade da sua vitória ou, eventualmente, resultar na divulgação de mais matéria embaraçosa (ou pior), não é de excluir que pressione o Departamento da Justiça para resolver o assunto sem recurso a um julgamento.

Claro que tal não seria necessário, se os Estados Unidos não se empenharem seriamente na extradição de Assange originalmente ordenada pelo Procurador-geral cessante (que nos Estados Unidos acumula as funções de ministro da Justiça), entretanto substituído por William Barr.

Barr foi nomeado em meados de Fevereiro de 2019, após ter tomado posições públicas a favor de Trump e nos últimos dois meses acentuou as apreensões de quem receava a manipulação do Departamento da Justiça para servir os interesses da Casa Branca, nomeadamente acusando, sem provas, o FBI e as secretas americanas de espionagem contra a campanha Trump.

Há organizações de defesa dos direitos cívicos que entendem um possível julgamento de Julian Assange como um atentado à liberdade de expressão. A administração Obama não processou judicialmente o fundador da Wikileaks em 2016, para não abrir, na altura, um debate sobre a liberdade de expressão. Trump não tem as mesmas motivações. E o Departamento de Justiça é hoje um instrumento político me vez de, como constitucionalmente devia, ser o advogado dos americano e do país, e não dos seus líderes.