Opinião

Portugueses, os que se queixam mas não votam

Opinião de Ricardo Costa, SIC

66,5% a 70,5% de previsão de abstenção é sempre um péssimo número. Mesmo que o fim da noite nos mostre que a tendência é para ficarmos no patamar mínimo, é sempre um péssimo número. E mesmo que tenhamos em conta a enorme atenuante de haver mais um milhão de eleitores face a 2014 – por causa do recenseamento automático -, a abstenção continua a ser péssima. E vergonhosa.

Não tenhamos medo deste adjetivo. A representatividade dos eurodeputados não está em causa, sejam eles eleitos por 30% ou 70% dos eleitores. Quem decidiu não ir votar fê-lo, na esmagadora maioria, porque não quis. E quem decidiu ir votar ficou com o poder de designar quem nos representa em Bruxelas nos próximos 5 anos. A democracia representativa é isto e agora não se queixem.

Mas hoje é importante que todos, os que votaram e os que não votaram, olhem para o resto da Europa. Vejam como aqui ao lado se votou muito mais, como em França a participação subiu pelo menos 8%, como mesmo no Reino Unido, que está de saída, houve mais gente a votar que há 5 anos. E vejam como na Roménia houve uma afluência espetacular para se votar também num referendo sobre corrupção e independência do poder judiciário.

Na Alemanha votaram mais 5% de eleitores este ano. Na Áustria, na ressaca de um escândalo de corrupção, votaram mais 10%. Na Dinamarca a afluência cresceu, em Malta aumentou bastante. A lista é enorme e esse é o nosso problema, porque nestes países todos os eleitores também se queixam dos políticos e de Bruxelas e do Parlamento Europeu e de tudo. Mas votam. Nós só nos queixamos.

  • O 12.º episódio do "Polígrafo SIC"
    21:36