Opinião

E Macau ali tão perto

MIGUEL A. LOPES / LUSA

Opinião de Pedro Cruz, SIC

Na recente visita de Marcelo Rebelo de Sousa à China, Macau ficou para o fim.

O antigo território português tem, tal como Hong Kong, um regime especial de transição de 50 anos.

A «China continental» tem tempo, paciência e por regra os dirigentes estão sempre de olhos postos mais à frente.

Nas poucas horas em Macau, Marcelo foi confrontado pela imprensa de língua portuguesa no território, com anunciadas mudanças, sobretudo jurídicas, que traduziam um «retrocesso» nos direitos garantidos pelo tal regime especial negociado aquando da transição de poder de Macau para a China.

A teoria do presidente português - hábil em falar sem dizer nada, quando entende que essa é a melhor opção - é que «na diferença está a diversidade», e uma outra teoria, de que «os grandes não podem esmagar os pequenos».

As respostas não deixaram satisfeita a imprensa portuguesa em Macau.

Quem vive no território, fala em mais e maior policiamento, «sente» um controlo mais apertado e vigilantes das «autoridades», nota uma presença mais «constante» do Estado na vida dos cidadãos e teme que esse regime especial, que ainda vai durar mais 30 anos, vá sendo progressivamente esvaziado até ao domínio total da China «continental».

Marcelo deixou aquelas duas frases e fez questão de desvalorizar e de se manter optimista com a subida de um patamar nas relações diplomáticas entre Portugal e a China.

Os portugueses no território não festejaram esta alegria que Marcelo anunciou.

Pelo contrário, tão boas relações entre os dois Estados, dizem, pode levar a uma maior «tentação» do tal controlo, proximidade das autoridades, mudança de leis e regimes jurídicos, enfim, um cerco ao território onde ainda se fala português.

Os resistentes acreditam agora que há um prazo de validade - os tais 30 anos – até que o grande tome conta do pequeno e as «diferenças» comecem a ser esbatidas.

Hong Kong saiu à rua contra a vontade da China continental.

Mas Macau não é Hong Kong, a herança britânica não é igual à portuguesa e os macaenses de várias origens não são tão organizados, politizados e unânimes como os vizinhos do outro lado da baía.

Se voltar em Dezembro, para os 20 anos da transição, Marcelo vai ser, outra vez, confrontado com perguntas da imprensa portuguesa em Macau.

Seis meses e Hong Kong depois, dará as mesmas respostas?

Ou a subida de um «patamar» nas relações entre Portugal e a China pode fazer «libertar» ou, por outro lado, aconselhar prudência ao Presidente?