Opinião

O novo mapa mundo dos nossos telemóveis

Lourenço Medeiros

Lourenço Medeiros

Editor de Novas Tecnologias

A opinião do editor de novas tecnologias da SIC, Lourenço Medeiros.

Uma nova visão do mundo dos telemóveis

Uma nova visão do mundo dos telemóveis

Lourenço Medeiros

Estou em S. Francisco a assistir ao Unpacked da Samsung e a preparar o próximo Futuro Hoje. A marca coreana apresentou, na sua nova linha topo de gama, três Galaxy S20 com capacidade para 5G e mais de tudo, até de preço, e o Galaxy Z Flip, uma delícia de formato, com ecrã dobrável em vidro que vai para cima de 1500 euros, mas é francamente interessante.

Vou mostrar o que puder numa peça de TV, mas aqui queria referir que nunca tinha visto uma apresentação de uma marca que insistisse tanto nas outras. Ou seja, a cada momento que avançamos no verdadeiro espectáculo que estas coisas são, os responsáveis da coreana Samsung estão constantemente a referir marcas americanas, e sobretudo a Google. Parceria com a Xbox para os jogos, melhor integração com Spotify, colaboração com Netflix, até ao ponto de criar um botão para chamadas de vídeo diretamente com o Duo, da Google claro.

Mensagem clara da Coreia em S. Francisco

Mensagem clara da Coreia em S. Francisco

Lourenço Medeiros

Acontece que os três principais vendedores de telemóveis são a Apple, com o seu sistema iOS próprio e que é uma empresa americana, a Samsung tradicionalmente ligada ao Android, apesar de ter alguma aventuras com assistentes próprios que não fazem sombra, e a Huawei, o gigante chinês.

A Huawei tem estado nas notícias por estar no centro das restrições americanas da exportação de tecnologia para a China e tem que ver com o domínio das futuras redes 5G. O que é menos referido é que mesmo antes desta guerra já a Huawei não podia vender telemóveis nos Estados Unidos, e mesmo assim é um sério candidato a número um desta lista. Os números variam conforme a estatística e o mês escolhido, mas está lá sempre presente.

A insistência da Samsung em sublinhar e reforçar as suas parcerias americanas é uma forma de dizer ao mercado que vão continuar cá, onde os americanos e europeus os querem, embora obviamente o mercado asiático, mesmo sem a China, seja importantíssimo.

Atingida pelos embargos parciais americanos, a Huawei está a ter que lançar telefones "complicados" para o consumidor habituado ao sistema Android. Tem a base do sistema e depois não pode usar muitas das aplicações a que estamos habituados. A Huawei não pode ficar só à espera que a coisa se resolva e está a avançar com um sistema operativo próprio, o Harmony, que claramente ainda não está pronto mas com o qual quer construir um ecossistema semelhante ao da Apple, uma alternativa credível com o seu mercado próprio, com a diferença que a meta só pode ser a liderança.

Não é fácil, mas o centro do mundo já não é tão ocidental como era, e a Huawei está mesmo a tentar fazer uma parceria estratégica com as principais marcas chinesas para criar uma loja integrada que possa fazer aparecer um terceiro gigante, independente do Android.

A Google já está longe de ter na China a importância que lhe atribuímos aqui, os chineses têm os seus sistemas próprios, como o WeChat, que dispensam bem a maior parte das empresas que usamos no nosso dia a dia e, no entanto, estão muito mais avançados em alguns aspectos, como os pagamentos electrónicos.

O oficializar de uma grande aliança que crie um sistema separado com base na China e pouco compatível com Android e iOS talvez seja apenas o avanço normal de uma separação que existe de facto. Tal como a Apple e a Google lutam para entrar nos mercados asiáticos também esse sistema vai lutar pelo seu espaço na geografia ocidental.

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