Opinião

"O que se está a passar em relação à contagem dos desempregados é uma ficção"

A análise da situação política e económica com José Gomes Ferreira, na Edição da Noite.

"Neste momento o que se está a passar em relação à contagem dos desempregados é uma ficção", disse José Gomes Ferreira relativamente aos dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística.

Reforça que só têm utilidade para amenizar a vida dos políticos em funções, "porque temos uma situação em que num trimestre em que teve um maior impacto pela pandemia desde sempre, nesse trimestre a análise do desemprego baseia-se nos mesmos critérios do padrão europeu".

Menos 135 mil pessoas a trabalhar e os desempregados - diz o INE - diminuem mais cerca de 69.700.

Onde é que os desempregados foram parar?

"À população inativa"

Quem os "varreu" para a população inativa?

"Os critérios do INE"

O que vai acontecer é que "ou vão para a rua fazer inquéritos como deve ser e há a oportunidade de os trabalhadores voltarem aos centros de emprego e terem lá funcionários para os receber ou então isto continua tudo a ser uma ficção".

Quem beneficia com isto?

O "primeiro-ministro, António Costa, e o Governo", que "continua a não ter que dar justificação a ninguém e a achar que faz brilharete com uma descida absolutamente artificial do desemprego, que é mentira. Não existe".


Os governantes "não querem enfrentar a crise ou sabem que ela é muito forte e querem agradar a toda a gente porque vêm aí eleições".

Economista garante que desemprego calculado pelo INE está muito abaixo do valor real

O economista do PCP Eugénio Rosa diz que o desemprego calculado pelo INE para o segundo trimestre está muito abaixo do valor real.

O INE tinha previsto uma redução do número de desempregados para pouco mais de 278 mil, mas Eugénio Rosa acredita que haja mais de meio milhão de pessoas desempregadas em Portugal.

De acordo com o economista, dois em cada três desempregados não estão a receber subsídio de desemprego, o que é dramático e grave, mas o problema social ainda é mais dramático e está a ser escondido pelos dados do INE.

Contactado pela SIC, o INE reconhece que a pandemia tem tido um impacto profundo na situação laboral portuguesa e explica que pessoas anteriormente consideradas "desempregadas", são agora inativas disponíveis, porque a pandemia limita a disponibilidade para trabalhar ou a própria procura de emprego.

O Instituto Nacional de Estatística diz ainda que os critérios aplicados são os mesmos em toda a União Europeia.