Opinião

Uma Taça cheia de… velocidade

José Manuel Freitas

José Manuel Freitas

Comentador SIC Notícias

Às terças e sextas o futebol marca presença maioritária no Match Point, mas o Desporto em geral terá sempre aqui o seu espaço. Na escrita de José Manuel Freitas.

O melhor é descodificar desde já o título desta prosa, que tem a modesta intenção (e só isso) de juntar futebol, com a eliminatória da Taça de Portugal em que participam pela primeira vez as equipas que integram a Liga principal, e motociclismo, com a realização da derradeira ronda da mais renomada competição mundial e onde sobressai a sempre palpitante corrida de MotoGP, a Fórmula 1 de duas rodas, que se realiza entre nós, em Portimão, oito anos depois do Estoril, com as duas jornadas desportivas a terem um denominador comum: não haverá público nas bancadas – a pandemia, cada vez mais devastadora ao nível de infetados e de pessoas que nos deixam, no caso concreto do futebol e os “abusos” no Grande Prémio de F1, fazem com que melhores de aficionados da modalidade não possa vitoriar um dos nossos meninos queridos e que tanto merecia: Miguel Oliveira.

A Taça de Portugal sempre foi vista, e bem, como aquela prova onde podem acontecer surpresas. E agora, especialmente a partir da altura em que a FPF decidiu que nesta ronda as equipas denominadas grandes jogariam sempre na condição de visitantes – como forma de incentivar a competição e proporcionar mais uns cobres aos donos dos campos -, a possibilidade de haver “tomba gigantes” (uma terminologia característica da prova) aumentou razoavelmente. Nesse sentido, há muita gente que espera ver o seu emblema surpreender, concretamente em jogos como Fabril Barreiro-FC Porto, Paredes-Benfica, Trofense-Sp. Braga, Oriental-Famalicão (este sábado), Real-Belenenses SAD ou Sacavenense-Sporting, que se jogará no Jamor (segunda-feira). O mais certo é os maiores saírem por cima, mas não há Taça sem uma ou mais surpresas como se prova pelo passado daquela que continua a ser a rainha do futebol português e que vai na sua 87.ª edição.

MIGUEL OLIVEIRA, O NOSSO HERÓI

Com a presença de espectadores e sem pandemia (mas sem ela provavelmente não haveria competição em Portugal…) estariam reunidas todas as condições para Portimão encerrar com chave de ouro mais uma época sempre espetacular nas duas rodas com motores… de avião. Mesmo assim está garantido um domingo de grandes emoções, pois se é real já haver campeão no MotoGP, Joan Mir, nas Moto 2 e 3 ainda não, havendo mesmo três candidatos em cada categoria: na 2, Enea Bastianini, Sam Lowes e Luca Marini, na 3, Albert Arenas, Ai Ogura e Tony Arbolino.

Miguel Oliveira, o nosso herói, mesmo sem aqueles que integram a sua falange de apoio no autódromo algarvio, cumpre um sonho de vida: correr na mais importante categoria do motociclismo no seu país. É evidente que depois de já ter vencido uma prova, há muita gente a sonha com a possibilidade de no domingo o ver cortar o risco de chegada na liderança, aproveitando o facto de já haver campeão, mas como ele estão a pensar todos os outros pilotos. O certo é que no ano de estreia na exigente especialidade, Oliveira é 10.º da tabela, com 100 pontos, e pode perfeitamente chegar mais acima, pois Nakagami e Jack Miller não estão assim tão distantes.

Mesmo sem espectadores, quem gosta das emoções das duas rodas pode vivê-las através da televisão, uma vez que a SporTV, a detentora dos direitos de transmissão, fez um pacote especial para os três dias, que se iniciam esta manhã, pelas 9 horas, com um treino da Moto3. Amanhã, o dia será muitíssimo preenchido, pois os pilotos das várias categorias invadem a pista em 10 sessões de trabalho, para domingo estar reservado o prato forte: às 11 horas temos a final de Moto3, às 12.20 a de Moto2 e a partir das 14… só teremos olhos para o nosso falcão (“nickname” de Miguel Oliveira).

O’SULLIVAN E OS CHARUTOS DE HAMILTON

Ronnie “The Rocket” O’Sullivan é para mim (apaixonado confesso da modalidade) o maior jogador de snooker de todos os tempos e não só por ter guardados em seis títulos de campeão mundial. E também não é pelo facto de ser ambidextro a jogar. Muito menos por até hoje ter conseguido 1024 tacadas acima dos 10 pontos. Ronnie é o melhor porque é e por juntar a essa genialidade para dominar o jogo como ninguém a controvérsia que tanto admiro nas grandes figuras do Desporto. Ronnie apimenta as entrevistas (poucas) e isso cativa ainda mais.

Porém, mesmo assumindo que não sou fã incondicional de Lewis Hamilton (sim, são sete títulos mundiais, mas Michael Schumacher…), desta feita não estou nada de acordo com o “rocket” quando defende que o dominador da F1 atual não merece ser “Sir” porque tem o melhor carro e conduzir aquele Mercedes é a mesma coisa que guiar a fumar charuto. Para quem não sabe conduzir, como é o meu caso, até acho piada à charada, mas será mesmo assim? Ok, jogar snooker até pode parecer mais fácil (pode…), mas andar a 300 quilómetros à hora mesmo para quem é especialista e tem a melhor máquina…

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