Opinião

Sessão de Cinema: “Perfume de Mulher”

Al Pacino e Chris O'Donnell em "Perfume de Mulher": duas gerações de Hollywood

João Lopes

João Lopes

Crítico de Cinema

Al Pacino, um dos maiores actores do moderno cinema americano, ganhou apenas um Oscar na sua carreira. E só aconteceu à oitava nomeação, graças à sua composição de um invisual em “Perfume de Mulher”, sob a direcção de Martin Brest.

Na longa e admirável filmografia de Al Pacino (nascido a 25 de abril de 1940, em Nova Iorque), o filme “Perfume de Mulher” (1992) não será uma das referências centrais. Mas não deixa de ser um título com um valor simbólico muito especial, agora disponível numa plataforma de streaming.

Afinal de contas, Pacino é também o Michael Corleone da trilogia de “O Padrinho” (1972/1974/1990), com performances excepcionais que vão de policiais tão invulgares como “Serpico” (1973) até aos recentes “Era uma Vez em… Hollywood” e “O Irlandês” (ambos de 2019). Acontece que “Perfume de Mulher” lhe valeu o Oscar de melhor actor, o único da sua carreira, obtido apenas à oitava nomeação!

Enfim, não menosprezemos “Perfume de Mulher”. Estamos a falar de uma sugestiva adaptação de um filme homónimo, realizado por Dino Risi em 1974, centrado numa notável composição de Vittorio Gassman (nomeado, em representação da Itália, para o Oscar de melhor filme estrangeiro). Tal como o original italiano, o “Perfume de Mulher” produzido em Hollywood centra-se na figura irascível de um veterano militar que vive a sua condição de invisual numa atitude de permanente revolta contra tudo e contra todos… O filme narra uma viagem que ele decide empreender, tendo como companhia contratada um jovem estudante, interpretado por Chris O’Donnell.

Dirigido com sobriedade por Martin Brest, “Perfume de Mulher” possui as qualidades clássicas de um drama pontuado por um misto de ironia e romantismo, em última análise desenvolvendo-se como um conto moral sobre as fragilidades das relações humanas. Entre os momentos mais sofisticados do filme destaca-se o tango que Pacino dança com a personagem interpretada por Gabrielle Anwar — vale a pena rever.

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