Opinião

Sessão de Cinema: “Bullitt”

Steve McQueen ao volante do seu Ford Mustang — memórias cinéfilas de 1968

Steve McQueen nasceu há noventa anos, tendo falecido com apenas 50 anos de idade: “Bullitt” é um título central na sua carreira e também um marco na evolução do género policial em Hollywood.

No calendário da cinefilia, o ano que está a terminar foi de dupla efeméride em torno de Steve McQueen. Assim, o actor americano teria completado 90 anos (nasceu a 24 de março de 1930), tendo o seu falecimento ocorrido a 7 de novembro de 1980, quer dizer, há quarenta anos.

Vale a pena, por isso, revisitar um dos seus filmes disponíveis nos circuitos virtuais, por certo o título mais famoso da sua filmografia: “Bullitt”, uma produção de 1968 realizada por Peter Yates, talentoso inglês que estava a iniciar a sua carreira em Hollywood.

Centrado na personagem de Frank Bullitt (McQueen), polícia de São Francisco que suspeita de um caso de corrupção no interior da sua esquadra, o filme reflecte, afinal, toda uma transformação do género policial que marcaria de forma indelével a produção dos grandes estúdios ao longo das décadas de 60/70. Assim, por um lado, há uma perspectiva nova, profundamente desencantada, das convulsões no interior das grandes cidades; por outro lado, ensaiavam-se diferentes matrizes de encenação, por vezes com surpreendentes efeitos espectaculares.

Nesta perspectiva, “Bullitt” é um filme pioneiro. Foi nele, de facto, que começou a moda das cenas mais ou menos vertiginosas e acrobáticas de perseguições automóveis (nem sempre bem copiadas, há que reconhecer…). Com McQueen ao volante do seu icónico Ford Mustang, Yates criou uma vibrante sequência de perseguição através dos altos e baixos das ruas de São Francisco, num registo que, três anos mais tarde, em cenários de Nova Iorque, teria uma das suas variações mais brilhantes em “The French Connection/Os Incorruptíveis Contra a Droga”, de William Friedkin.

Com uma excelente galeria de secundários, incluindo Jacqueline Bisset e Robert Vaughn, “Bullitt” possui ainda um outro trunfo que fez história. A saber: a banda sonora de Lalo Schifrin, o compositor americano de origem argentina que, em 1966, assinara o célebre tema da série televisiva “Missão Impossível” — em resumo, este é um filme essencial para compreendermos as dinâmicas de Hollywood em finais dos anos 60.

TV Cine

  • A árdua experiência com a sustentabilidade 

    Mundo

    E se alguém lhe dissesse que passaria a viver num quarto, com eletricidade apenas para pequenos utensílios domésticos, sem aquecimento central, ar condicionado ou água quente. Teria apenas três conjuntos de roupa, sem máquina de lavar ou secar, faria dieta local sem produtos de origem animal e não andaria de automóvel nem de avião?

    Opinião

    João Abegão