Opinião

Um leão no xadrez do título

Às terças e sextas o futebol marca presença maioritária no Match Point, mas o Desporto em geral terá sempre aqui o seu espaço. Na opinião escrita de José Manuel Freitas.

Porque o FC Porto cumpriu o seu desempenho frente ao Farense com grande desenvoltura e eficácia, não deixando dúvidas quanto ao patamar em que as duas equipas se posicionam – o 5-1 que se verificou é prova cabal das diferenças que existem -, só na noite desta terça-feira o Sporting pode avançar para a primeira, de três oportunidades de que dispõe, para concretizar o grande sonho dos últimos 19 anos: conquistar a Liga. Que lhe outorga o 19.º título! Ou o 23.º, se os leões levarem de vencida, como se justifica há muito, o braço de ferro com a FPF pelos triunfos que reclamam em quatro épocas do passado: 22/23, 33/34, 35/36 e 37/38. Uma decisão federativa que, tudo o indica, deverá chegar até final deste ano.

Para chegar ao título nos três desafios que faltam para encerrar a competição, o líder incontestado da Liga (desde a 6.ª jornada que manda na classificação isolado e não sofreu em 31 jogos qualquer desaire, realidade que já é recorde em Portugal em número de desafios e pode ficar na história se assim se mantiver até final) precisa de três pontos, possíveis através de uma vitória ou, como alternativa, graças a dois empates, com a primeira dessas “finalíssimas” a ter lugar, em Alvalade, frente a um bastante aflito Boavista, também ele campeão nacional por uma vez.

Olhando-se o que os dois emblemas têm produzido ao longo da temporada – os axadrezados começaram a prova com Vasco Seabra no comando, mas depois entregaram-no ao experiente Jesualdo Ferreira -, o mais fácil, independentemente da carga emocional que o jogo encerra, é escrever-se que os leões são mais do que favoritos, com o discurso recente de Rúben Amorim a contribuir ainda mais para essa leitura. Porém, uma vez que alguns dos últimos desfechos, especialmente com Famalicão e Belenenses, tiraram quatro pontos ao líder e a possibilidade de já ter feito a festa, obriga a equipa de Alvalade a jogar muito bem contra as dificuldades deste xadrez, que a equipa do Bessa lhe colocará, garantidamente.

Caso a situação não seja de todo favorável aos leões, a resolução da equação poderá chegar na Luz, frente ao Benfica, ao na derradeira ronda, em casa, com o Marítimo. Porém, mesmo reconhecendo-se que a euforia (compreensível) em torno da equipa – especialmente depois da épica vitória em Braga – é enorme, tudo indica, com o respeito merecido ao Boavista, que o Sporting chegará já ao título e que a festa será até às tantas. Por todo o Portugal, com incidência normal em Lisboa, nos locais onde as autoridades permitirem, e as questões relacionadas com a saúde deixarem, particularmente no Marquês de Pombal.

NO FUNDO DA TABELA VAI GRANDE CONFUSÃO

Com o triunfo do FC Porto (e depois do empate na Luz), ficou claro que a equipa de Sérgio Conceição vai garantir a outra posição de Champions, tendo para tal, por força dos quatro pontos de vantagem sobre os encarnados, duas chances de o conseguir: em Vila do Conde, ou no Dragão, no dia de encerramento, com o Belenenses. Sinal de que o Benfica, na Choupana, frente ao último da tabela, quase só vai cumprir calendário. Quase…

Por falar em Nacional, a luta no fundo da tabela está acesa e a confusão é enorme, pois ainda são vários os emblemas envolvidos na discussão. Até mesmo a equipa nacionalista pode escapar à despromoção, como próprio Farense, penúltimo da tabela, uma vez que há vários clubes que os precedem não possuem vantagem pontual suficientes. Concretamente os já citados Boavista e Rio Ave, mais Marítimo, Famalicão e Portimonense. O que quer dizer, tão só, que a Liga pode ficar resolvida desde já, mas lá em baixo as coisas são estarão definidas mesmo no último dia.

TIAGO DANTAS E FÉLIX DA COSTA VENCEDORES

Lá por fora, pela segunda vez na história, um futebolista português venceu a Bundesliga. Ou seja, Tiago Dantas, o jovem benfiquista que está emprestado ao Bayern – campeão pela 9.ª vez consecutiva (!!!) -, sucede a Renato Sanches. Uma situação inolvidável para um jovem de 20 anos, ainda que só tenha sido utilizado 69 minutos e não saiba se vai continuar em Munique.

Outro português em grande destaque foi António Félix da Costa. O campeão em título da Fórmula E regressou aos triunfos e obteve a primeira posição na corrida disputada no célebre circuito do Mónaco. Vitória conseguida na última volta e que deixou o piloto português num estado de felicidade semelhante ao do dia em que conquistou o campeonato.

Finalmente, a outro nível na disciplina automóvel, Lewis Hamilton: o britânico dominador da Fórmula 1 conseguiu chegar à 100.ª “pole position”, feito que nenhum outro tinha conseguido, e obteve a 95.ª vitória da carreira, em Espanha, no circuito de Barcelona. Sinal de que, apesar da muita luta que lhe tem sido dada por Max Verstappen, tudo indica que o seu domínio na modalidade está para se eternizar.

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