Foi a velha história do “ainda há noites assim”. O Real Madrid estava ligado às máquinas. Como um velho condenado que viu todos os recursos chumbados e se limitava a dar os últimos passos no corredor da morte.
Podia ter levado a injeção letal de Mbappé, mas a dose fatal, numa simulação de galeria sobre Courtouis, foi trocada pelo placebo do fora-de-jogo. Não caiu ali e seria reanimado por Donnarumma. O italiano brincou, Benzema acreditou e o Bernabéu acordou.
A partir daí viu-se o coração de um clube e de um estádio contra uma equipa melhor, mas sem a mesma ligação às suas cores. Sem a tradição de dar a volta, sem o museu que se carrega no coração, sem a coroa que se conserva com sofrimento e lágrimas. Sem a chama dos campeões.
De repente, o Paris Saint-Germain foi engolido. Por Benzema e Modric. Pelas bancadas do Bernabéu. Por aquela camisola “blanca” que ilumina Champions por todo o lado. Pelo velhote que antes parecia gasto e cansado até que se desprendeu das grilhetas e correu para a liberdade.
A condenação ficou para Mbappé, Neymar e Messi. O trio maravilha construído para ganhar esta competição e que cai nos “oitavos”. E para Sergio Ramos que lesionado, sempre lesionado, viu a reviravolta sentado na sua antiga casa.
Há a dúvida se Mbappé fica em Paris ou segue para Madrid na próxima época. Este jogo deveria ajudá-lo a decidir de vez.
Foi o melhor do PSG e não terá sido por ele. É um monstro futebolístico. Mas não basta dinheiro, não basta reunir a constelação e esperar que aconteça. É preciso outra coisa. É preciso alma. A tal mística.
Aquilo que o Real ainda tem e que mostrou quando Donnarumma deixou cair a chave das algemas. Aquilo que o PSG não pode comprar nem com todo o dinheiro saído do Qatar.
Dá para muito, verdade. Dá para ter alguns dos melhores funcionários do mercado. Mas estes jogam por quem? Pelo quê? Porquê?
O Real jogou pelo Real. E por tudo o que é o Real. E o Real é tudo o que o PSG ainda não é. O dinheiro é um atalho, sim, mas não garante a meta.
