País

Defesa de Renato Seabra tenta internamento em instituição  de saúde mental

O advogado de Renato Seabra vai tentar  que o jovem modelo acusado do assassínio do colunista Carlos Castro em Nova  Iorque seja internado numa instituição de saúde mental, em vez de condenado  a pena de prisão. 

(Reuters/Arquivo)
© Lucas Jackson / Reuters

No Supremo Tribunal de Nova Iorque, o advogado David Touger entregou  hoje uma notificação de intenção de recorrer à "defesa psiquiátrica", ou  "falta de responsabilidade criminal devido a doença mental", que o juiz  terá ainda de aprovar, com base em novas avaliações psiquiátricas. 

"A única coisa que é preciso provar nessa defesa é que, no momento em  que os atos de que é acusado foram cometidos, ele estava sob efeito de doença  ou defeito mental", disse Touger após a sessão. 

"Quando cometeu os atos de que é acusado, ele não estava a agir, não  sabia que era errado o que estava a fazer. (...) Se ganharmos, (Seabra)  será não culpado, por razão de doença ou defeito mental", adiantou. 

De fato branco, cabelo cortado e mãos algemadas atrás das costas, Seabra  compareceu na sessão de hoje em Tribunal, onde esteve também a sua mãe,  Odília Pereirinha, que mais uma vez se recusou a falar à imprensa. 

O jovem modelo mantém-se detido na prisão de Rikers Island, para onde  foi levado em abril, depois de passar os primeiros três meses após o assassínio  de Carlos Castro no hospital psiquiátrico de Bellevue. 

"Tem tido visitas de mãe e amigos. Está bem, para uma pessoa nestas  circunstâncias, sob muita pressão", afirmou Touger.  O internamento pretendido pela defesa "seria em condições de segurança",  até nova decisão judicial, adiantou o advogado.  "Não haveria sentença. É-se civilmente internado numa instituição mental  até o juiz decidir que é seguro ser-se libertado na sociedade", referiu.

Sobre a possibilidade do internamento ter lugar em Portugal, o advogado  de Seabra escusa-se a comentar.  Apesar da notificação hoje apresentada, a defesa pode ainda mudar de  curso, segundo Touger. "Estamos a deixar esta oportunidade em aberto para usar. É uma notificação  estatutária que temos o direito de apresentar. A acusação tem depois o direito  de que Seabra seja examinado por um dos psiquiatras deles", adiantou. 

A próxima audiência ficou marcada para 28 de junho e a defesa irá então  apresentar novo relatório psiquiátrico que "verifica" a notificação hoje  apresentada. Uma nova data deverá ser agendada para que a procuradoria apresente  uma contra-avaliação psiquiátrica. 

O advogado recusa "de todo" a possibilidade de um acordo com a Procuradoria  nesta fase e diz "esperar totalmente que o caso vá a julgamento", a partir  de setembro. Touger irá de agora em diante ser auxiliado por um outro advogado, Rubin  Sinins, de Newark, Nova Jérsia.  

Durante a sessão, foi admoestado pelo juiz por emitir "opiniões" após  as audiências, que têm sido reproduzidas nalguma imprensa local e nacional.

Carlos Castro e Renato Seabra passavam férias juntos em Nova Iorque  desde o final de dezembro passado e estavam instalados no Hotel Intercontinental,  onde o colunista social foi encontrado morto pela Polícia, com sinais de  agressões violentas e mutilação nos órgãos genitais. 

 

     

 

Lusa