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Louçã lamenta decisão de Rui Tavares mas não comenta "discussões pessoais"

O líder do BE lamentou hoje a decisão do eurodeputado  Rui Tavares de abandonar a delegação bloquista ao Parlamento Europeu, mas  escusou-se a comentar o que considerou serem "discussões pessoais". 

Miguel A.Lopes

"Com certeza  [que lamento]. Não me surpreendeu de forma nenhuma, infelizmente.  Mas serão a Marisa Matias e o Miguel Portas, que trabalharam no Parlamento  Europeu e que foram eleitos na lista de que fez parte Rui Tavares que vão  fazer um comentário sobre o assunto", disse, questionado sobre o afastamento  de Rui Tavares. 

O eurodeputado abandonou hoje a delegação do Bloco de Esquerda ao Parlamento  Europeu, em virtude de o líder do partido não ter pedido desculpas após  o ter acusado de estar na origem de informações enganosas. 

Numa nota à imprensa divulgada em Bruxelas, Rui Tavares, independente  que havia sido eleito em 2009 para o Parlamento Europeu integrado nas listas  do Bloco de Esquerda, diz que perdeu a "confiança pessoal e política no  coordenador nacional" do partido, tornando-se assim "impossível" continuar  integrado na delegação bloquista, pelo que passou à condição de independente  integrado no grupo dos Verdes europeus. 

Na origem do diferendo está um texto publicado por Louçã na passada  sexta-feira à noite, na página de Facebook do líder do BE, no qual este  sugeria que Rui Tavares estaria na origem de informações falsas colocadas  nos jornais "I" e "Sol" sobre os fundadores do Bloco, "fazendo desaparecer  da história Fernando Rosas", substituído pelo ex-dirigente Daniel Oliveira,  uma das vozes críticas da atual direção do Bloco. 

"Não vou fazer discussões sobre questões pessoais como compreende,  não teria sentido", disse Francisco Louçã. 

O líder bloquista salientou ainda que Rui Tavares "era independente",  sublinhando não temer que este afastamento afete a coesão interna do partido.

"Tenho pena, mas não temo nada, antes pelo contrário. O Bloco de Esquerda  terá uma grande capacidade de resposta à situação dificílima que teremos  com uma maioria de direita e a necessidade de uma resposta clara à esquerda",  afirmou. 

Numa nota divulgada em Bruxelas, os eurodeputados do Bloco de Esquerda  Miguel Portas e Marisa Matias consideraram "desproporcionada" a decisão  do seu colega Rui Tavares de abandonar a delegação bloquista ao Parlamento  Europeu na sequência de uma divergência pessoal com o líder do partido.

Miguel Portas e Marisa Matias também criticam implicitamente o facto  de Rui Tavares ter decidido tornar-se independente pelo grupo parlamentar  dos Verdes europeus, abandonando a família política do Grupo de Esquerda  Unitária, que integra os eurodeputados do Bloco e do PCP. 

 

Lusa