País

'Rei Ghob' reclama da condenação e pode recorrer para Supremo Tribunal de Justiça 

Francisco Leitão, conhecido por 'Rei Ghob' vai  reclamar da decisão do Tribunal da Relação de Lisboa, que manteve a condenação  de 25 anos de prisão, e admite recorrer para o Supremo Tribunal de Justiça,  disseram hoje os seus advogados. 

Arquivo Lusa
MARIO CALDEIRA

Fernando Carvalhal, um dos defensores do arguido, afirmou hoje que, nos  próximos dez dias, vai entregar uma reclamação à conferência do Tribunal  da Relação de Lisboa a pôr em causa a imparcialidade do respetivo coletivo  de juízes. 

Se o incidente de suspeição não for aceite na Relação, admitiu recorrer  da decisão para o Supremo Tribunal de Justiça. 

"O juiz desembargador Rui Rangel, que formou o coletivo, prestou opiniões  sobre o caso enquanto comentador televisivo, no sentido de incriminar Francisco  Leitão pelo triplo homicídio, ainda antes de o processo lhe ter sido distribuído",  justificou o advogado. 

"É deontologicamente censurável que um juiz tenha juízos formulados  antes de analisar o caso", criticou Fernando Carvalhal. 

O advogado lembrou que Rei Ghob foi julgado por um tribunal de júri,  composto por juízes e também por cidadãos influenciáveis por opiniões públicas,  com base não em provas, mas apenas "indícios", como admitiram os juízes  da Relação no acórdão. 

O Tribunal da Relação de Lisboa rejeitou, na semana passada, "por unanimidade"  o recurso de Francisco Leitão, e manteve a condenação de 25 anos de prisão,  determinada pela primeira instância, pela prática de três homicídios. 

"Ficaram confirmadas todas as condenações pelos três homicídios, pela  ocultação de cadáveres, pela falsificação de documento e pela detenção de  arma proibida", referiu o presidente do TRL, salientando que a Relação manteve  a absolvição do crime de homicídio do idoso sem-abrigo. 

"Rei Ghob" julgado no Tribunal Criminal de Torres Vedras por quatro  homicídios, mas foi condenado apenas por triplo homicídio, a 29 de março  de 2012, não tendo sido ficado provada a acusação referente ao homicídio  de um idoso sem-abrigo. 

O Tribunal de Torres Vedras absolveu-o pelo homicídio do sem-abrigo  e condenou-o a 13 anos de prisão num homicídio, 12 anos e meio noutro e  a 18 anos num outro.  

Pelos três crimes de ocultação de cadáver, o tribunal condenou o sucateiro  a três anos de prisão, um ano por cada crime, enquanto pela prática de falsificação  de documento foi aplicada a pena de 12 meses. Por detenção de arma ilegal,  "Rei Ghob" foi condenado a três meses de prisão. 

Em cúmulo jurídico, o tribunal atribuiu uma pena máxima de 25 anos e  condenado Francisco Leitão a pagar 350 mil euros de indemnização às famílias  da vítimas. 

Lusa