País

Mário Nogueira lança livro sobre "Futuro das Escolas"

Nos poucos tempos livres que lhe sobravam do trabalho de sindicalista, o líder da maior federação de professores escreveu um livro sobre "O Futuro da Escola Pública" que hoje vai lançar em frente ao Ministério da Educação.

Acompanhado por um estudante, uma mãe, um diretor escolar e um inspetor, Mário Nogueira vai estar, esta tarde, na avenida 5 de Outubro para criticar as políticas educativas dos últimos anos, mas hoje o intuito do manifesto será diferente: apresentar o seu livro.

"Não procurei o politicamente correto, nem o consensualmente aceite... fui escrevendo, tal como poderia ir dizendo se estivesse numa das muitas sessões em que tenho participado e em que a defesa da Escola Pública é tema central", resumiu o líder da maior estrutura sindical que nos últimos sete anos lutou diariamente pelos professores.

No entanto, garante que este "não é um livro sobre professores": "A escola tem muitos protagonistas. Começando pelo aluno, a quem a escola tem de dar resposta, passando depois pelos professores, funcionários e pais".

Nos últimos meses, aproveitou os poucos tempos livres para avançar no livro e garante que lhe podia "faltar tempo mas sobrava tema" e por isso, depois de um dia no papel de líder da Fenprof, "conseguia escrever com mais facilidade e ao correr da pena".

Mário Nogueira passou para escrito as criticas que tem feito às políticas que considera estarem a prejudicar a escola pública: a criação dos mega-agrupamentos, o cheque-ensino, o reforço dos contratos com escolas privadas ou o corte nos apoios dados às crianças com necessidades educativas especiais são alguns dos exemplos.

Lamenta "as pressões económicas, políticas e sociais que se exercem sobre a escola" mas acredita que a escola pública ainda tem futuro, porque o "caminho e políticas de desmantelamento serão travados" muito em breve, com a chegada das eleições.

"A escola pública só pode ter futuro, porque sempre que é atacada é o futuro do próprio país que é posto em causa", disse o autor do livro.

Além das críticas às políticas educativas, Mário Nogueira apresenta também um conjunto de propostas por uma escola melhor. A aprovação de uma lei de financiamento da educação, que defina as regras desde o pré-escolar até ao superior é uma das suas propostas.

Apostar na Ação Social Escolar (ASE) de forma a garantir que este apoio é capaz de atenuar as diferenças e garantir igualdade de oportunidades e contrariar os cortes aos apoios a crianças com necessidades educativas especiais (NEE) são outras das propostas.

Parte dos lucros da venda do livro será entregue à Embaixada da Palestina para a reconstrução das escolas que foram destruídas em Gaza: "Nós temos os nossos problemas, mas quando olhamos à nossa volta percebemos que existem situações realmente dramáticas. Na Palestina foram destruídas 250 escolas e morreram 450 crianças", lamentou.

 

Lusa