Rio lamenta reputação internacional "num dos pontos mais baixos" e defende "reforma do regime"
O ex-autarca do Porto Rui Rio assinalou hoje que a reputação internacional do país está atualmente "num dos pontos mais baixos" e defendeu ser necessária uma "reforma do regime" que dê mais credibilidade e força ao poder político.
(Lusa/Arquivo)
"Estamos num dos pontos mais baixos dessa reputação internacional. Ninguém pode olhar para este país, pelas mais diversas circunstâncias, e considerar que a reputação está no auge", frisou o social-democrata durante um debate sobre a reforma do IRS e da fiscalidade verde a decorrer no Porto.
Aos jornalistas, acrescentou que "aquilo que tem acontecido em Portugal nos últimos anos, nos últimos meses, semanas e dias, tudo somado não pode dar uma boa imagem de Portugal no estrangeiro".
Durante a sua intervenção frisou que o atual regime político "tem fim" e que a sociedade portuguesa deve "arranjar formas" de o revitalizar "sob pena de a democracia se perder para sempre".
"O que temos que fazer é uma reforma no regime que dê ao poder político a credibilidade e a força necessárias para poder impor o seu programa, (...) defender o interesse público e não sucumbir ou não ficar impotente perante interesses corporativos ou setoriais que hoje têm uma dimensão enorme e que acabam por conduzir o país para uma situação destas", sustentou.
Rui Rio disse mesmo: "estamos a eleger uns atores que não são mais do que isso, o verdadeiro poder não está naqueles que elegemos".
Ainda durante a sua intervenção defendeu que a atual crise económica "é filha da crise política" e que não é possível uma redução da dívida sem preparar orçamentos "com pequenos superávites".
Enumerando erros cometidos pelos sucessivos governos, nomeadamente os "40 anos de regime com 40 défices públicos" e a desorçamentação, Rio defendeu que, numa estratégia de médio-longo prazo, os orçamentos devem contemplar "pequenos superávites" para ser possível uma redução do endividamento do país.
"Não havendo superávites, não há redução da dívida", salientou o social-democrata que aproveitou para lembrar o tempo em que liderou a câmara do Porto: "em 12 anos não já um orçamento municipal do Porto sem superávite, expurgando o efeito do Euro 2004".
Questionado sobre o tom do seu discurso, respondeu: "isto que eu digo, percebo que algumas pessoas possam interpretar como quase campanha para qualquer coisa mas (...) eu venho a dizer isto há pelo menos 15 anos (...) quando muito há 15 anos andava em campanha para deputado".
Lusa
