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Onze animais selvagens envenenados em Castro Verde na última semana

A Liga Para a Proteção da Natureza (LPN) denunciou que na última semana foram detetados onze animais silvestres vítimas de envenenamento em Castro Verde, no Baixo Alentejo. Entre os animais envenenados estão exemplares de espécies ameaçadas, como a águia-imperial-ibérica ou o milhafre-real.

Onze animais selvagens envenenados em Castro Verde na última semana

O primeiro animal detetado com sinais de envenenamento foi um milhafre-real encontrado ainda com vida pela LPN, no dia 15 de novembro. Uma semana depois, a equipa cinotécnica de venenos da GNR detetou uma raposa morta na mesma área e também com sinais de envenenamento. Segundo a LPN, no mesmo dia foram encontrados os cadáveres de mais 5 milhafres-reais e 1 águia-imperial-ibérica, ambas espécies ameaçadas em Portugal. Todos indiciando envenenamento, tal como mais 3 milhafres-reais encontrados mortos no dia seguinte.

As equipas do Serviço de Proteção da Natureza e Ambiente (SEPNA) da GNR recolheram os cadáveres encontrados e amostras no local que foram encaminhadas para análises forenses para confirmar a causa de morte e identificar o veneno usado, bem como obter mais elementos de forma a chegar ao autor ou autores dos crimes.

Este já é o quarto caso de morte de águia-imperial-ibérica registado no Baixo Alentejo, durante este ano, apesar de ainda não serem conhecidos os resultados das análises toxicológicas, "os indícios são compatíveis com morte por envenenamento". O que, de acordo com a LPN, mostra "o risco real que esta ameaça representa para a conservação desta e de outras espécies com os mesmos hábitos de se alimentarem de animais mortos". A associação de conservação da natureza sublinha que no caso da águia-imperial-ibérica "as ameaças não-naturais podem pôr em risco toda a população nacional", que conta apenas com 15 casais reprodutores.

A LPN alerta ainda para que "uso ilegal de veneno é uma prática muito lesiva para a natureza mas que pode também afetar os seres humanos e os animais domésticos de uma forma bastante gravosa".

"Parece-nos que estas situações têm vindo a agravar-se nos últimos anos", disse à SIC Rita Alcazar da LPN. A associação de conservação da natureza constituiu-se recentemente assistente no processo judicial da morte de três águias-imperiais-ibéricas (uma cria e os progenitores) ocorrida em 2013, em Ourique. O juiz de instrução considerou haver indícios de Crime de Danos contra a Natureza, por negligência de controlo e vigilância da zona de caça onde ocorreram as mortes.Será a primeira vez que o envenenamento de águias irá a julgamento em Portugal.