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Missão internacional apontou falhas de segurança ao reator nuclear português

Portugal não tem centrais nucleares para produção de eletricidade, mas dispõe de um reator nuclear de investigação, da responsabilidade do Instituto Superior Técnico (IST). Foi construído em Sacavém, junto a Lisboa, e começou a funcionar em 1961. Mas está parado há quase 10 meses, após uma missão da Agência Internacional de Energia Atómica ter recomendado uma série de reparações e melhoramentos de segurança.

O reator está parado desde maio do ano passado, na sequência da avaliação feita pela missão de peritos internacionais realizada em fevereiro de 2016, a pedido da Comissão Reguladora para a Segurança das Instalações Nucleares em Portugal.

A lista de recomendações que consta no relatório da missão é extensa e cobre aspectos que vão desde a gestão dos resíduos, a deteção de fugas de água radioativa e a deteção sísmica, até à proteção radiológica, e aos procedimentos de emergência.

Os peritos sugerem mesmo que se faça um estudo para fundamentar uma decisão nacional sobre o futuro do reator que já tem mais de 55 anos.

Segundo a avaliação feita, são precisos mais recursos humanos qualificados para garantir a segurança da operação e é fundamental introduzir melhorias e fazer reparações, nomeadamente reparar a fuga de água radioativa existente na piscina do reator que deve ser estanque.

Sobre a questão da fuga de água da piscina do reator, o vice-presidente do Instituto Superior Técnico (IST) responsável pelo reator, esclarece que, como a piscina tem uma parede dupla, "qualquer perda que exista é contida na instalação". José Marques responde ainda que "os peritos aconselharam métodos de inspeção específicos para detetar onde se encontram eventuais defeitos a corrigir com resina epoxídica."

Em relação à falta de pessoal qualificado, o responsável assegura que o IST tem vindo "a contratar os recursos humanos necessários para dar cumprimento à legislação em vigor."

Apesar de Portugal ter optado por não produzir eletricidade com recurso ao nuclear, José Marques, vice-presidente do Instituto Superior Técnico e responsável pelo reator, considera que é importante o país dispor de uma instalação deste tipo para investigação e ensino.

O reator de investigação português começou a funcionar em abril de 1961, mesmo ao lado de Lisboa.

No reator permanece o combustível - urânio enriquecido - que, segundo José Marques, durará ainda 10 anos, caso o reator volte a funcionar.

Se o reator não voltar a funcionar, o combustível será devolvido aos Estados Unidos, para onde tem sido enviado desde o início da operação. Desde os anos 60, sairam do reator de Sacavém e foram enviados para os EUA cerca de 200 quilos de combustível em fim de vida, ou seja, resíduos radioativos de alta atividade.

Quer a decisão seja continuar em operação, quer se opte pela paragem definitiva, a missão de peritos internacionais recomendou que se desenvolva, desde já, um plano de desmantelamento, de acordo com as normas de segurança da Agência Internacional de Energia Atómica.

  • Falhas de segurança no reator nuclear português
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    Portugal não tem centrais nucleares para produção de eletricidade, mas dispõe de um reator nuclear de investigação, da responsabilidade do Instituto Superior Técnico. Foi construído em Sacavém, junto a Lisboa, e começou a funcionar em 1961. Mas está parado há quase 10 meses, após uma missão da Agência Internacional de Energia Atómica ter recomendado uma série de reparações e melhoramentos de segurança.

  • "Num reator de investigação podemos substituir todos os componentes"
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    O vice-presidente do Instituto Superior Técnico, responsável pelo reator de investigação português, defende que a instalação volte a funcionar após as inspeções e reparações que estão em curso. José Marques entende que os reatores de investigação podem funcionar mais tempo do que as centrais nucleares, por ser possível substituir "basicamente todos os componentes."