País

Dificuldades inéditas na recolha de amostras de água na Celtejo

Paulo Cunha

O Ministério Público está a investigar as dificuldades inéditas com que os inspetores se estão a deparar na recolha de amostras junto à saída da ETAR da Celtejo. Fonte ligada ao processo disse à SIC que a situação é suspeita e fala na possibilidade de boicote.

Fontes ligadas ao processo confirmaram à SIC que a Inspeção-geral do Ambiente, Mar e Ordenamento do Território (IGAMAOT) se deparou com dificuldades inéditas na recolha de amostras de água à saída da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) da Celtejo, e que foi preciso por inspetores no local para recolherem as amostras à mão de hora a hora, durante 24 horas seguidas, porque nos dias anteriores quando chegavam ao coletor de recolha automática não havia água suficiente para serem feitas análises. O Ministério Público está a investigar.
No dia 26 de janeiro, na sequência da poluição visível junto ao açude de Abrantes, a IGAMAOT colocou coletores em condutas de pelo menos três ETAR de fábricas localizadas em Vila Velha de Ródão, a montante de Abrantes, para recolher de forma automática de hora a hora, durante 24 horas, amostras de água para análise. Um desses coletores foi colocado na conduta da fábrica de pasta de eucalipto Celtejo, empresa do Grupo Altri. No dia seguinte, quando os inspetores chegaram ao local para irem buscar as amostras, os recipientes estavam praticamente vazios. Voltou a suceder o mesmo mais duas vezes. Tendo chegado a mudar o equipamento e verificado que o mesmo não tinha qualquer problema, e depois de solicitar ao Serviço de Proteção da Natureza e Ambiente (SEPNA) da GNR que ficasse a vigiar, a Inspeção decidiu por inspetores no local a fazerem as recolhas à mão, e só assim foi possível recolher as amostras de hora a hora, durante 24 horas, como exige a lei.
As amostras recolhidas na Celtejo acabaram por só ser enviadas para o laboratório na quarta-feira passada, uma semana após o surgimento de espuma no açude de Abrantes. No mesmo dia, a Celtejo, que tem negado qualquer responsabilidade na poluição do rio, convidou os jornalistas para conhecerem a nova ETAR da empresa.
Fonte ligada ao processo disse ainda à SIC que a situação é muito suspeita e que não descarta a hipótese de a ação das autoridades ambientais, na recolha de elementos de prova fundamentais para se chegar ao responsável ou responsáveis pela poluição no Tejo, ter sido boicotada.
Esta informação foi remetida ao Ministério Público de Castelo Branco, que está a investigar a poluição no Tejo, após a participação-crime feita pelo Ministério do Ambiente no passado dia 27 de janeiro, conforme noticiou a SIC em primeira mão.
O Ministério do Ambiente anunciou que amanhã, segunda-feira, irá apresentar os resultados das análises às amostras recolhidas à saída de ETAR municipais e industriais, de fábricas que descarregam para o Tejo a montante do açude de Abrantes. Mas não é certo que já haja resultados das análises às amostras de água obtidas à saída da ETAR da Celtejo.