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Ministério Público abre 15 novos inquéritos por violência policial na Amadora

O Ministério Público abriu 15 novos inquéritos contra agentes da PSP por violência policial na Amadora. De acordo com o Diário de Notícias, os polícias são suspeitos de ofensas à integridade física e abuso de poder e a maioria dos atos terão sido cometidos contra cidadãos de raça negra. Esta não é a primeira vez que atuação da PSP da Amadora está sob investigação. Dezassete polícias são acusados de tortura e racismo por agressões cometidas em 2015 contra jovens da Cova da Moura, na esquadra de Alfragide. O julgamento deste caso começa esta terça-feira.

O testemunho dos seis jovens que alegam ter sido vítimas de agressão naquela esquadra vai estar em confronto com o depoimento dos agentes, que negam todas as acusações.

Em janeiro deste ano, o Tribunal da Relação de Lisboa (TRL) rejeitou o pedido do Ministério Público para que os 17 polícias acusados de agressões a jovens da Cova da Moura, Amadora, fossem suspensos de funções. Segundo o acórdão, o TRL decidiu manter a medida de coação de Termo de Identidade e Residência (TIR) aos 17 agentes da PSP, recusando suspende-los de funções.

O Ministério Público (MP) já tinha pedido a suspensão de funções ao Tribunal de Sintra, que em setembro também recusou a alteração das medidas de coação aos polícias acusados de denúncia caluniosa, injúria, ofensa à integridade física e falsidade de testemunho.

No recurso para o TRL, o MP justificou o pedido de suspensão de funções alegando que "a grave violação dos deveres inerentes à função policial desempenhada pelos arguidos suscita não só um forte perigo de continuação da atividade criminosa, como ainda um sentimento de profunda insegurança".

O TRL negou o pedido do MP por considerar que "não ficou demonstrada a existência de qualquer agravamento do perigo de continuação da atividade criminosa em relação ao momento em que os arguidos prestaram TIR".

Para o Tribunal da Relação de Lisboa, "o sentimento de intranquilidade que pode decorrer do facto de os arguidos se encontrarem em exercício de funções também não é diferente do que existia quando aos arguidos foi aplicado o TIR".

Os 17 agentes da PSP estão acusados de denúncia caluniosa, injúria, ofensa à integridade física e falsidade de testemunho, de outros tratamentos cruéis e degradantes ou desumanos e sequestro agravado e falsificação de documento.

A acusação defende que os elementos da PSP espancaram, ofenderam a integridade física e trataram de forma vexatória, humilhante e degradante as seis vítimas, além de incitarem à discriminação, ao ódio e à violência por causa da raça.

O MP considera também que os agentes agiram com ódio racial, de forma desumana, cruel e tiveram prazer em causar sofrimento. Este caso está a aguardar a marcação do início do julgamento.

Com Lusa