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André Ventura deixará de ser militante do PSD para criar novo partido

O autarca de Loures André Ventura informou esta terça-feira que suspendeu a recolha de assinaturas para realizar um Congresso extraordinário para destituir Rui Rio e deixará o partido este mês, com o objetivo de formar uma nova força política. Um novo partido que defende, entre outras medidas, o regresso da prisão perpétua para homicidas e a castração química para violadores.

"Agradeço a todos os militantes e simpatizantes do PSD que, de todas as partes do país, me apoiaram desde o início e se lançaram numa luta desinteressada pela recuperação da identidade e dos valores do nosso partido", refere o ainda vereador da Câmara Municipal de Loures, em comunicado.

Questionado pela Lusa, André Ventura confirmou que termina hoje o processo de recolha das 2.500 assinaturas necessárias à convocação de um Congresso extraordinário no PSD, que iniciou no final de setembro.

"Fui traído, apunhalado pelas costas e enganado. Para a história ficarão aqueles que desde o início me apoiaram e incentivaram e depois vieram publicamente demarcar-se; ficarão também as atitudes daqueles que, chamados à responsabilidade num momento em que o partido se desagrega sem um caminho unificador, dela fugiram e preferiram remeter-se calculistamente a um futuro não muito distante, onde as previsíveis derrotas eleitorais tornarão tudo mais fácil", justifica, no comunicado.

André Ventura pretende formalizar ainda este mês, no dia 20, a sua renúncia à militância no PSD e ao lugar na Câmara de Loures.

As propostas polémicas do "Chega"

O nome do movimento que fundou para recolher as assinaturas contra o atual presidente do PSD, "CHEGA", é agora a designação escolhida para uma nova força política, que pretende ver formalizada ainda este ano com o objetivo de concorrer às eleições do próximo ano e "impedir uma nova maioria de esquerda".

No comunicado, André Ventura manifesta a intenção de começar, ainda este mês, a recolha das 7.500 assinaturas necessárias para a formalização do partido junto do Tribunal Constitucional.

Entre os "valores fundamentais" que pretende para esta anunciada nova força política, Ventura destaca "uma base político-ideológica assente num liberalismo económico e político de natureza personalista", "o regresso da prisão perpétua para homicidas e violadores", "castração química para pedófilos e a imediata introdução do crime de enriquecimento ilícito".

Redução dos atuais 230 para cem deputados, limitação de mandatos dos vereadores, redefinição do sistema fiscal português e "ativismo ético em assuntos como a eutanásia e o casamento entre pessoas do mesmo sexo" são outros dos valores que preconiza, a par de uma "Europa igual para todos".

O movimento anunciado pelo autarca de Loures André Ventura, denominado Chega, ficou 'online' no dia 27 de setembro, em www.chega.pt, e incluía um espaço para a recolha das 2.500 assinaturas necessárias à convocação de um Congresso extraordinário do PSD.

Figuras do PSD demarcam-se da iniciativa

Nas últimas semanas foram várias as figuras do PSD que se demarcaram da iniciativa de André Ventura, como Pedro Duarte, Miguel Pinto Luz, Miguel Morgado e Luís Montenegro.

Na edição de sexta-feira do Expresso, o antigo líder parlamentar do PSD e que já admitiu que poderá vir a disputar a liderança do partido defendeu que Rui Rio tem direito a "disputar as eleições legislativas em 2019" e deixou um aviso.

"Da mesma maneira que já disse que não pedirei licença a ninguém para ser candidato à liderança, também digo que não avançarei para nada empurrado por ninguém", disse Luís Montenegro.

Na passada quinta-feira, também o PSD de Loures se distanciou do movimento lançado pelo autarca do partido, dizendo que não se revê nos "motivos, razões e objetivos" que o vereador invoca para lançar um movimento destinado à convocação de um Congresso extraordinário no PSD e manifestou "apoio e solidariedade à atual Comissão Política Nacional do PSD e ao seu presidente eleito democraticamente", Rui Rio.

Lusa

  • 16:26