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Médicos querem soluções alternativas ao serviço de urgência para doentes crónicos

Os médicos de medicina interna e medicina geral defendem soluções alternativas ao serviço de urgência, como hospitais de dia de horário alargado para o agravamento de doenças crónicas e a criação de centros de diagnóstico rápido.

Num comunicado conjunto, a Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF) e a Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) consideram que deveriam ainda ser criados centros específicos para casos sociais difíceis, assim como garantida a presença de um assistente social em cada serviço de urgência polivalente.

"Os SU (Serviços de Urgência) continuam a servir como centros de emergência para casos sociais e também para os doentes a aguardar vaga na Rede de Cuidados Continuados ou Paliativos. Nos últimos anos, em cada Inverno, a situação agrava-se e cria o caos nos SU, Hospitais e Centros de Saúde", refere o comunicado.

Para resolver esta questão, a APMGF e a SPMI defendem que se deve dotar cada serviço de urgência "de um assistente social, com presença durante todo o horário de funcionamento do SU e com meios para resolução dos casos sociais, com recursos fora do hospital".

Portugal é o país da OCDE onde o serviço de urgência hospitalar é mais frequente

As duas associações de médicos sublinham que, atualmente, "seis em cada dez cidadãos recorre ao serviço de urgência hospitalar, sendo Portugal o país da OCDE onde este recurso é mais frequente (o dobro da média dos países da OCDE)".

"Cerca de 40 a 50% das admissões nos SU são por situações não urgentes, que podiam ser resolvidas fora destes serviços. O excesso de afluência aos serviços de urgência provoca que, em muitas situações, sejam ultrapassados os tempos de espera recomendados pela triagem de Manchester, o que põe em risco a segurança dos doentes e dos profissionais", frisam.

Por outro lado, insistem, nos Centros de Saúde "assiste-se a solicitações para consulta nos períodos de Consulta Aberta e Consulta Aberta em Sistema de Intersubstituição, que não correspondem a doença aguda, o que gera uma incapacidade de resposta adequada aos utentes".

"Existe uma falta de informação que ajude a população a utilizar os recursos de saúde de uma forma mais racional" e, simultaneamente, "um subfinanciamento e uma evidente falta de investimento nos Centros de Saúde e nos hospitais", o que "condiciona uma inadequada resposta à doença aguda, induzindo graves disfunções no sistema", consideram.

O Governo deve investir na promoção de campanhas públicas educativas que promovam o uso racional dos recursos de saúde

Para a APMGF e a SPMI, o Governo deve investir na promoção de campanhas públicas educativas que promovam o uso racional dos recursos de saúde e deve ser reformulado o modelo de financiamento dos hospitais.

"O atual modelo de financiamento dos hospitais deve ser discutido e reformulado, (...) devendo ser aumentados os valores de pagamento atribuídos aos doentes graves (Vermelhos, Laranjas e Amarelos na triagem de Manchester) e reduzidos os pagamentos aos azuis e verdes (menos graves)", sugerem.

As duas associações defendem igualmente o cumprimento, por parte dos agrupamentos de centros de saúde e unidades locais de saúde, da decisão do regulador de adotarem um procedimento interno "que garanta um encaminhamento assente em critérios clínicos e permita a diferenciação entre o motivo de doença aguda e não aguda para efeito de atendimento não programado do cidadão no próprio dia".

Lusa