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Professores preparam há vários dias manifestação nacional deste sábado

TIAGO PETINGA / LUSA

O objetivo é protestar contra o Governo e pressionar a Assembleia da República.

Dias de reuniões e preparação antecedem uma manifestação nacional de professores, que demora duas ou três horas a desfilar, mas muitas mais a montar, para lhe dar uma marca e identidade que a eternizem na memória.

Na sede da Sindicato dos Professores da Grande Lisboa (SPGL), e da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), não havia na quinta-feira à tarde, a dois dias da manifestação que os sindicatos querem grande e a fazer lembrar aquela que em 2008 encheu o Terreiro do Paço, uma azáfama de professores e sindicalistas a ultimar cartazes, faixas e bandeiras para encher o olho -- e as imagens -- na manifestação do próximo sábado.

Sinais dos tempos, e da evolução da tecnologia, os materiais são pensados dentro do sindicato, mas produzidos maioritariamente fora, por empresas gráficas. Nem a impressora de grandes dimensões, colocada na sala onde o departamento de informação dos sindicatos trabalha, e onde se imprimiam ainda na quinta-feira alguns cartazes, perturbava o ambiente de silêncio e tranquilidade reinante.

Só no sábado, dia da manifestação nacional convocada por dez estruturas sindicais, para mais um fôlego de reivindicação nas ruas da contagem integral do tempo de serviço congelado, haverá maior movimentação e preparativos.

Isso não significa pouco trabalho, explicou à Lusa Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof, garantindo que uma manifestação desta envergadura "demora muito tempo" a organizar.

Começa-se por definir "a oportunidade" do protesto, ou seja, é preciso garantir que ela acontece num momento em que pode provocar "um efeito, uma consequência", que neste momento, mais do que protestar contra o Governo, é pressionar a Assembleia da República, na apreciação parlamentar agendada para 16 de abril, para forçar uma revisão do decreto-lei do Governo que apenas conta parte do tempo congelado reivindicado pelos professores, sendo para isso necessário que uma maioria parlamentar se entenda nesse sentido.

É ainda preciso tempo para esclarecer os professores dos objetivos da manifestação, razão pela qual na última semana e meia os sindicatos se desdobraram em plenários por todo o país, para ouvir, mas também para explicar a razão da importância da manifestação e da participação dos docentes, que está longe de ser um dia de passeio, defendeu Mário Nogueira.


"Uma manifestação não é estala-se um dedo, vamos fazer uma manifestação e vamos passar um dia a Lisboa. Longe disso. Aliás, o sacrifício para muitos é muito grande. Há gente que vai sair de casa às 05:00 e chega a casa às 04:00 do dia seguinte, porque as viagens são longas. Vem gente de muito longe, vem gente de Sagres, Vila Real de Santo António até Vinhais, Bragança e Mirandela", disse o líder da Fenprof à Lusa.

Depois há "todo um trabalho preparatório", que neste caso envolve 10 estruturas sindicais e canais de comunicação abertos em permanência, para se encontrarem consensos em aspetos como palavras de ordem, decidir qual o sindicato que vai à frente na manifestação, o que "às vezes dá uma discussão grande", porque "as pessoas gostam de ir à frente e depois aborrecem-se porque se vão atrás quando chegam até já acabaram as intervenções", ou até a localização do palco para as intervenções.

"No Terreiro do Paço, a polícia sugeria que o palco ficasse do lado do Cais do Sodré, mas aí já temos uma experiência de 2008 em que as pessoas vêm da rua da Prata e chegam ali e empanca e, não só não enche a praça, como ainda por cima ficam parados pela rua fora. Vamos ter que ver com a polícia e negociar para pôr do outro lado de forma a que encha toda a praça", disse Mário Nogueira.

Há ainda as faixas, o discurso, a mensagem inicial e os adereços, pensados para dar uma identidade e imagem de marca à manifestação que a diferenciem das anteriores e das que se lhe seguirem, a pensar na memória futura.


"Sabemos que as fotografias que a comunicação social vai tirar apanham a primeira faixa. A mensagem da primeira faixa é muito importante, independentemente das outras aquela é que vai passar sempre. Depois a própria imagem da manifestação. Nós iremos levar balões pretos, balões negros. Não é propriamente luto, mas da tristeza e indignação dos professores. E às vezes as pessoas lembram-se: olha, esta é a manifestação dos balões pretos. Tivemos a manifestação do 'emoji', tivemos o desfile dos 'pai natal', o desfile das caixas do correio. Temos que encontrar a imagem de marca da manifestação, porque fica", disse.

Há também a segurança e a comunicação no decurso da manifestação, decidindo os momentos adequados para passar a mensagem, "sem a veleidade dos partidos políticos", que procuram abrir telejornais, mas tentando capitalizar diretos nos canais de notícias no cabo.

"Geralmente quando a comunicação social está mais connosco temos que mandar as mensagens que são as mais fortes. Isso é tudo previsto para que a manifestação não fique ali um mar de gente que esteve ali e não aconteceu mais nada", explicou.

Sem pormenorizar, Mário Nogueira adiantou que é possível que na frente da manifestação de sábado exista "algo muito visível", num "recado aos partidos" que "simbolize o que o Governo fez e que simbolize o que se espera dos partidos políticos na Assembleia da República".

Mário Nogueira não se quis comprometer com números, mas garante que será "uma grande manifestação", que terá o "duplo sentido de repúdio ao Governo, por não contar aos professores seis anos e meio de tempo de serviço, e de "expectativa, e até esperança" aos partidos políticos, dos quais esperam uma solução.

Lusa

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