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Pais criam movimento e juntam-se à greve estudantil pelo clima

Rafael Marchante / Reuters

"Parents for Future" também junta pais e avós portugueses.

Pais e avós têm trabalhado nos bastidores das lutas estudantis pelo clima para que as reivindicações dos jovens se transformem em ações concretas e já são um movimento organizado: o "Parents for Future".

Tal como a greve climática estudantil, também o grupo que reúne os pais em torno da causa ambiental ganhou uma dimensão internacional e em quatro continentes nasceram 36 comunidades de 16 nacionalidades, entre as quais uma portuguesa.

Luis Lapão e Ana Matos são dois dos organizadores do "Parents For Future Portugal" e em poucos dias conseguiram mais de mil apoiantes.

"Os seguidores são pessoas preocupadas com a crise climática e conscientes de que o futuro dos seus filhos está em risco", disse à Lusa Luís Lapão, professor na Universidade Nova de Lisboa.

Inspirados pelos jovens que em poucos meses conseguiram conquistar a opinião pública, os pais perceberam que era preciso que a luta dos mais novos em defesa do planeta se transformasse em ações concretas.

"De contrário, corria-se o risco de acharem que todo o seu empenho tinha sido em vão", explicou o professor.

Na greve estudantil de 15 de março, cerca de 1,6 milhões de jovens de 125 países em mais de 2000 cidades marcharam para exigir ações urgentes e decisivas contra a crise climática.

Mobilizar os pais para ajudar os mais novos

Mãe de duas crianças, de seis e dez anos, Ana Matos não teve dúvidas em aderir ao movimento global de pais para ajudar os mais novos a transformar os sonhos em realidade.

"Neste momento dedicamos todo o nosso esforço a mobilizar os pais para juntarem as suas vozes às dos jovens, e de representar as vozes das crianças mais pequenas, na próxima manifestação do dia 24", explicou à Lusa Ana Matos.

Esta sexta-feira, quando os jovens voltarem a sair à rua para chamar a atenção para a urgência climática, terão ao seu lado as famílias, que darão o aval à luta e mostrar que o motivo da greve às aulas não é uma brincadeira de crianças, mas sim um problema sério criado pelos adultos.

O professor universitário que também tem dois filhos, de 12 e 16 anos, garante que existe um grupo de pais que tem estado nos bastidores das lutas estudantis desde o início.

"Nós apoiamos os jovens para garantir que há rigor científico", explicou Luís Lapão.

São também estes pais que têm contactado outros encarregados de educação e responsáveis escolares para os sensibilizar para a causa.

Luis Lapão diz que o objetivo do grupo é precisamente conseguir que "100% dos pais tenham consciência de que podem agir e educar os filhos de forma ambientalmente responsável", sublinhando que esta é uma mudança de comportamentos deve ser feita de "forma tranquila".

Além das mudanças dentro de cada casa, os "Parents for Future" exigem mudanças políticas com base nas declarações da comunidade científica, cuja avaliação de impactos climáticos "ditam uma ação imediata".

"Exigimos políticas urgentes e muito mais ambiciosas, bem como medidas em linha com um futuro abaixo dos 1.5°C de aquecimento (...) exigimos que o Acordo de Paris e o relatório especial do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) sobre o Aquecimento Global de 1.5°C seja seguido. Isto significa não apenas que teremos de reduzir as nossas emissões globais a zero, mas também que essas reduções têm de acontecer tão depressa quanto possível. Devem também ser assumidas por países numa base de equidade", defendem numa carta aberta assinada pelos 36 grupos de "Parents for Future".

Depois dos protestos nas ruas é preciso que os governantes avancem com ações simbólicas, como por exemplo, a declaração do estado de emergência climática, lembrou Ana Matos.

"Esse é na verdade apenas um primeiro passo. O que tem de acontecer efetivamente é a redução drástica das emissões. E depois há o trabalho de fundo, de informação e apoio às famílias, na sua adoção de estilos de vida compatíveis com os objetivos da Sustentabilidade", acrescentou a jovem mãe.

Garantem que não existe nenhuma motivação política por trás dos seus atos, que apenas querem apoiar as ações dos jovens, mas prometem dar voz aos protestos dos jovens através do voto.

Para já, estes pais vão participar na sexta-feira no próximo protesto internacional, que nasceu em agosto de 2018 graças às ações da jovem ativista sueca Greta Thunberg, e que se volta a repetir um pouco por todo o mundo com manifestações e greves às aulas em vésperas de eleições europeias.

Lusa