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Berardo defende-se em carta aberta: "Fui objeto de um verdadeiro julgamento popular"

ANTÓNIO COTRIM

Joe Berardo defende que o Parlamento não serve para julgar cidadãos e pede a Ferro Rodrigues que ninguém volte a passar pelo mesmo.

Joe Berardo divulgou esta segunda-feira uma carta que escreveu ao Presidente da Assembleia da República, na qual se defende das críticas que tem recebido desde o inquérito no Parlamento, sobre a Caixa Geral de Depósitos.

Na carta aberta, Berardo fala na "violação dos seus direitos fundamentais" durante a comissão de inquérito à Caixa Geral de Depósitos, onde foi "sujeito a um interrogatório de mais de cinco horas, sem direito a contraditório".

"Em cinco horas, tive alguns momentos infelizes em que respondi no mesmo tom de desafio a perguntas também elas provocatórias."

O empresário considera que foi objeto de um "verdadeiro julgamento popular" no dia da comissão, uma vez que o inquérito foi transmitido na televisão, algo que garante não ter autorizado.

Diz que a sua credibilidade foi afetada pela “transmissão televisiva ilícita da inquerição e do aproveitamento comunicacional” dos seus “momentos menos felizes nos últimos dois meses".

"Pensava eu que as comissões parlamentares serviam para julgar atos e responsabilidades políticas, não para julgar causas privadas."

O empresário pede a Ferro Rodrigues para garantir o normal funcionamento das comissões de inquérito, "reconduzindo-as à apreciação de atores e responsabilidades políticas e públicas". Defende que o Parlamento não serve para julgar cidadãos e pede a Ferro Rodrigues que ninguém volte a passar pelo mesmo.

"Eu defendo-me, mesmo quando querem dar de mim a ideia de ter ficado no bolso com muitos milhões dos portugueses, quando isso não pode estar mais longe da verdade. Nem eu, nem nenhuma entidade ligada a mim, alguma vez tivemos ao nosso dispor nenhum direito que tenha sido emprestado pela CGD, ou por outros brancos."

Berardo garante ainda ter pago "quase só em juros" cerca de 231 milhões, "em troca de nada" e termina a carta com um pedido ao Presidente da Assembleia da República.

"Eu defendo-me apesar de tudo. Tenho a certeza que V. Excelência nos defenderá a todos."