País

Mestres da Soflusa iniciam greve ao trabalho extraordinário que vai durar até dezembro

Greve afeta utentes das ligações fluviais entre Barreiro e Lisboa.

Os mestres da Soflusa, empresa responsável pelas ligações fluviais entre Barreiro e Lisboa, iniciam hoje uma greve até 31 de dezembro ao trabalho extraordinário, por considerarem que as negociações com a empresa sobre a valorização salarial não estão a evoluir.

Este pré-aviso de greve foi marcado pelo Sindicato dos Transportes Fluviais, Costeiros e da Marinha Mercante (STFCMM), que afirma não se estar a registar "evolução significativa" nas negociações com a Soflusa. Por este motivo, os mestres já se encontravam a recusar o trabalho suplementar, desde 18 de junho, entrando hoje em greve, exigindo que seja respeitado o acordo celebrado em 31 de maio, de aumento do prémio de chefia, que dizem ter sido "suspenso".

Contudo, em 21 de junho, a Soflusa garantiu que estão a decorrer as negociações com os sindicatos e que irá dar "total cumprimento" ao acordo estabelecido com os profissionais.

Esta decisão de aumentar o prémio dos mestres, em cerca de 60 euros, levou a que sindicatos de outras categorias profissionais na empresa também avançassem com plenários e pré-avisos de greve, alegando que a subida causaria uma "desarmonia salarial".

Em 17 de junho, na véspera de uma greve marcada pelo Sindicato da Mestrança e Marinhagem da Marinha Mercante, Energia e Fogueiros de Terra (SITEMAQ), foi anunciado que esta seria suspensa na sequência da subscrição de um protocolo negocial entre a administração da empresa e os sindicatos, com o STFCMM a ser o único que não assinou.

Na sexta-feira à noite a empresa ativou um plano de contingência para assegurar o transporte dos passageiros da ligação fluvial, entre o Barreiro e Lisboa, de forma alternativa, explicando que a última ligação ocorreu às 23:30 devido à falta de mestre.

"Com o objetivo de minimizar o impacto da suspensão desta ligação fluvial, a partir das 23:30 (de sexta-feira), encontra-se ativo o plano de contingência para o início da madrugada de sábado", refere a empresa numa mensagem na sua página oficial.

Plano de contingência

O plano de contingência consiste na realização de carreiras extra entre o Cais de Sodré e o Seixal, às 00:15, 01:15 e 02:15, sendo depois efetuada a ligação entre o terminal do Seixal e o terminal do Barreiro através de táxi.

Para o fim de semana, a empresa explica que a primeira ligação entre as duas margens está prevista para as 07:25 (sentido Barreiro/Lisboa) e a última às 22:55 (Lisboa/Barreiro).

O STFCMM entregou um pré-aviso de greve, a todo o trabalho extraordinário, a partir do dia 06 de julho, bem como um pré-aviso de greve entre as 00:00 do dia 08 de julho e as 24:00 horas do dia 10 de julho.

Devido à greve de três dias agendada para o início da próxima semana, a Soflusa refere que foram decretados serviços mínimos pelo Tribunal Arbitral do Conselho Económico e Social.

Os serviços mínimos consistem em duas carreiras em cada sentido. Entre Barreiro e Lisboa será às 00:30 e 05:05, e no sentido contrário às 01:00 e às 05:30.

"Durante interrupção, os terminais fluviais estão encerrados, por motivos de segurança", frisa.Devido à greve na Soflusa, a empresa vai reforçar a oferta na Transtejo, na ligação do Seixal, até às 24:00, vai ter transporte rodoviário entre o Terminal fluvial do Barreiro e o Terminal fluvial do Seixal, o parque de estacionamento será gratuito no terminal do Seixal e a carreira 6 dos Transportes Coletivos do Barreiro, que faz a ligação com o terminal ferroviário da Fertagus.

"O título de transporte, válido na ligação fluvial do Barreiro, pode ser utilizado nas ligações fluviais de Montijo, Seixal e Cacilhas", conclui.Na semana passada, a empresa explicou que "a regularidade do serviço só pode ser assegurada com recurso à prestação de trabalho suplementar pelos mestres".

Além da paralisação do trabalho extraordinário, o STFCMM entregou também um pré-aviso de greve de três dias, entre as 00:00 de segunda-feira e as 24:00 de quarta-feira. Já para quinta-feira, está marcada uma reunião entre a administração e o STFCMM.

Lusa

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