País

Maioria dos portugueses disponível para colaborar no aproveitamento de biorresíduos

MÁRIO CRUZ

É o resultado do II Grande Inquérito da Sustentabilidade em Portugal, da Missão Continente (Grupo Sonae) e do Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa.

A maioria dos portugueses está disponível para colaborar no aproveitamento de biorresíduos e um em cada quatro já utiliza restos de comida para a compostagem ou alimentação dos animais, revela um estudo hoje divulgado.

Segundo o II Grande Inquérito de Sustentabilidade em Portugal, apenas um em cada 10 revelou desinteresse em colaborar na recolha seletiva de biorresíduos ou no seu tratamento ao nível local (compostagem doméstica ou comunitária).

De acordo com este estudo, elaborado por investigadores do Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa, a solução para o aproveitamento dos biorresíduos varia e são mais os que se mostram disponíveis para uma recolha centralizada (43%).

Os restantes dividem-se entre quem está disposto a aproveitá-los (compostagem doméstica ou comunitária -- 23%), opção que surge mais no meio rural e em quem já converte os seus resíduos orgânicos (23%).

"Há uma sensibilidade e atenção que é preciso aproveitar, mas levando a informação às pessoas, não só com publicidade (...), as pessoas precisam de saber como se faz, como se separam os biorresíduos, e depois criar as tais infraestruturas -- um sistema de recolha das autarquias. Se se fizer em simultâneo e com atenção consegue-se compor um sistema, até porque nós estamos muito atrasados em termos de metas europeias nesta recolha", afirmou Luísa Schmidt, uma das coordenadoras do estudo.

Portugal está obrigado a cumprir metas de reciclagem de resíduos urbanos de 55% do total dos resíduos em 2025, 60% em 2030 e 65% em 2035 e a avançar com a recolha seletiva de biorresíduos a partir de 2023.

O inquérito questionou ainda os portugueses sobre a presença de microplásticos nos peixes. Mais de metade (54%) dos inquiridos reconhece a existência do problema, mas apenas uma minoria (22%) integra esta preocupação nas suas escolhas quotidianas.

A verdade é que têm conhecimento do problema, mas desconhecem até que ponto afeta o pescado nacional (40,5%).

Quanto às soluções para resolver o problema dos plásticos descartáveis, quando colocados perante a necessidade de escolher entre apostar na recolha e reciclagem, promover a substituição por alternativas biodegradáveis ou reduzir o consumo usando produtos mais duráveis, os dados apontam para uma divisão equilibrada.

Os dados do inquérito, da Missão Continente (Grupo Sonae) e do ICS indicam que 30% opta pela primeira opção, 34,6% prefere a substituição por novos materiais biodegradáveis e 34,9% a redução do consumo usando produtos mais duráveis.

O estudo analisou 1.600 inquéritos a residentes em Portugal, maiores de 18 anos, estratificado por região, género e idade e tem 95% de intervalo de confiança. Decorreu entre 07 de novembro e 13 de dezembro de 2018.