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Sociedade de Oncologia quer peritos externos nas comissões de avaliação de medicamentos

Declarações à margem do 16.º Congresso Nacional de Oncologia, que decorre até sábado no Centro de Congressos do Estoril.

Sociedade de Oncologia quer peritos externos nas comissões de avaliação de medicamentos
David Gray

O presidente da Sociedade Portuguesa de Oncologia defende que deve haver maior informação, clareza e transparência por parte das autoridades que avaliam os medicamentos e que estas comissões de avaliação devem ter peritos externos.

Em declarações à Lusa no dia em que começa o 16.º Congresso Nacional de Oncologia, que decorre até sábado no Centro de Congressos do Estoril, Paulo Cortes frisa que a inovação é “absolutamente necessária”, reconhece que os constrangimentos para aprovação de novos medicamentos não são apenas financeiros e defende que o problema "deve ser olhado de forma mais global".

“A inovação é absolutamente necessária. Vivemos num período em que há constrangimentos em termos de aprovação de novos fármacos, mas os constrangimentos não são só a nível financeiro. Temos que olhar o problema do ponto de vista global, em todo o percurso do doente, pois ainda há muitos problemas a resolver no acesso atempado do doente a meios de diagnóstico e a cirurgias”, afirma.

Para o responsável da SPO, “tem de haver maior informação clareza e transparência por parte das autoridades que fazem a avaliação dos medicamentos”, que deveriam ter maior celeridade, e “era desejável que estas comissões de avaliação integrassem peritos externos”.

“Não estamos a falar de substituir, mas de integrar peritos externos e envolver mais as associações de doentes (…) Eles também têm uma palavra a dizer em relação à utilização destes novos medicamentos”, refere.

Paulo Cortes diz que a proposta para que as comissões integrem peritos externos já foi apresentada e que foi bem acolhida: “Vamos ver se será bem implementada”.

“A avaliação é feita por uma entidade que está muito ligada à parte governamental. Deveria ter uma maior abertura e transparência e participação de peritos externos, sejam da Sociedade ou da Ordem dos Médicos”, diz.

Paulo Cortes admite que o doente de hoje é mais informado, mas defende que a literacia em saúde “ainda não atingiu o patamar desejado”.

“Tal como em todas as áreas, muitas vezes a informação não é conhecimento (…) Há muita informação, mas muitas vezes não se traduz em conhecimento pois há também muita desinformação”, defende.

A este respeito, apontou o projeto SNS Digital, que a SPO assinou com o Serviço Nacional de Saúde (SNS), para alimentar a plataforma digital do SNS com conteúdos científicos da responsabilidade da Sociedade de Oncologia, dirigidos a toda a população.

“Há muita gente que não sabe onde procurar informação certa” e as mensagens claras e bem dirigidas “continuam a ser importantes”, acrescenta.

O responsável defendeu ainda que, na área da prevenção, as campanhas devem acompanhar a evolução da sociedade e modernizar-se “se querem chegar às pessoas”.

“Todos temos, mais do que falar em campanhas em que repetimos sempre as mesmas coisas, de ser mais criativos. A sociedade evoluiu, as formas de comunicar e de as pessoas receberem as mensagens mudaram e temos de nos adaptar a isso, fazendo campanhas de prevenção mais inovadoras, de forma a atingir o maior número de pessoas”, afirma.

O responsável destaca o Plano Estratégico a três anos desenvolvido na Sociedade Portuguesa de Oncologia e explicou que a estrutura a que preside definiu cinco áreas de atuação estratégica, que deram origem a cinco grupos de trabalho, envolvendo pessoas da SPO, externas e até não médicos.

'Dados em Oncologia’ - pois “há falta de informação em relação à realidade das doenças oncológicas e capacidade instalada” - e ‘Prevenção’ – “com projetos desenvolvidos com a Sociedade de Pneumologia em relação ao tabagismo e outras na calha para apoiar o rastreio do cancro do colon” - são duas das duas áreas/grupos estratégicos.

Os restantes grupos/áreas são os ‘Sobreviventes’ – “que cada vez são mais e com desafios para abordar, não só na perspetiva médica, mas também política e social” -, ‘Cancro Hereditário’ e ‘Cuidados de Suporte Paliativos’.

“A visão do nosso mandato na SPO foi abrir a Sociedade a cada vez mais parceiros, para ajudar cada vez mais os doentes oncológicos, numa lógica de achar que a oncologia é multidisciplinar, mas multiprofissional”, defende o presidente da SPO.

Ao longo de três dias, mais de 600 profissionais de saúde vão discutir no Congresso Nacional de Oncologia os avanços no diagnóstico e tratamento das doenças oncológicas, sob o mote “Uma visão sobre o futuro da Oncologia em Portugal – ciência, estrutura e decisão”.