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Ataque à Academia de Alcochete. Bruno de Carvalho absolvido

Dos 44 arguidos, três foram absolvidos, nove foram condenados a prisão efetiva, 29 condenados a penas suspensas e trabalho comunitário e três foram multados.

O ex-presidente do Sporting Bruno de Carvalho foi esta quinta-feira absolvido de todos os crimes no julgamento do ataque à Academia de Alcochete.

Na leitura do acórdão, o coletivo de juízes presidido por Sílvia Pires considerou que não foram provados os factos apontados a Bruno de Carvalho, a Mustafá, ex-líder da claque Juve Leo, e a Bruno Jacinto, oficial de ligação aos adeptos do Sporting.

ANTÓNIO PEDRO SANTOS

Tal como o antigo dirigente leonino, que liderou os "leões" entre 2013 e 2018, também Mustafá e Bruno Jacinto foram ilibados.

"Não se prova que as publicações de Bruno de Carvalho nas redes sociais tenham servido para incitar os adeptos. Não se prova qualquer causa-efeito na expressão 'façam o que quiserem' e o que aconteceu na academia", referiu a juíza.

Bruno de Carvalho e o advogado, Miguel Fonseca, à saída do tribunal

Bruno de Carvalho e o advogado, Miguel Fonseca, à saída do tribunal

ANTÓNIO PEDRO SANTOS

Mustafá, ao qual não foi provado que nenhum dos arguidos tivesse informado da ida à Academia, foi ainda absolvido do crime de tráfico de estupefacientes.

Na leitura do acórdão foram ainda excluídas as condenações por terrorismo, uma vez que os arguidos tinham um alvo definido, sem interferirem com a paz pública, e sequestro.

No que diz respeito aos restantes, o "(...) tribunal provou que os 37 arguidos que entraram na Academia, a correr em passo acelerado, sabiam que era um espaço vedado. (...) Entraram de rompante, sem anunciar ou pedir entrada, sem autorizacão. De forma concertada e de cara tapada para não serem identificados", disse Sílvia Pires.

NOVE DOS 44 ARGUIDOS CONDENADOS A PRISÃO EFETIVA

Dos 44 arguidos, 29 foram condenados a quatro anos e meio de prisão, com pena suspensa, pelos crimes de ofensa a integridade física qualificada, ameaça agravada e introdução em local vedado ao público. Os arguidos beneficiaram do facto de não terem antecedentes.

Os arguidos Fernando Mendes, Elton Camará, Nuno Torres, Getúlio Fernandes, Domingos Monteiro, Bruno Monteiro, Pavlo Antochuk, Leandro Almeida e Tiago Neves, que já tinham antecedentes, foram condenados a cinco anos de prisão efetiva.

No que toca a Rúben Marques, arguido que o tribunal provou ter agredido o treinador Jorge Jesus e os jogadores Bas Dost e Misic, foi condenado a 4 anos e 10 meses de pena suspensa e 200 horas de trabalho comunitário.

Dos 44 arguidos, três foram absolvidos (Bruno de Carvalho, Mustafá e Bruno Jacinto), nove foram condenados a cinco anos de prisão efetiva, 29 foram condenados a penas suspensas e trabalhos comunitário e três foram multados.

CRÍTICAS AOS JORNALISTAS E MENSAGEM AOS SPORTINGUISTAS

Depois de ouvir a leitura do acórdão, à saída do tribunal, Bruno de Carvalho deixou uma mensagem aos sportinguistas.

"Sempre fui inocente, deviam ter confiado, dei tudo o que tinha pelo sporting", afirmou.

Relativamente à sentença, o ex-presidente dos "leões" admitiu que esta "foi a assunção de uma coisa que sabia há dois anos".

Horas antes, à chegada ao tribunal, o advogado de Bruno de Carvalho, Miguel Fonseca, mostrava-se confiante e admitia ter esperança que fosse feita justiça.

A leitura do acórdão acontece dois anos depois do ataque à Academia de Alcochete, que ocorreu a 15 de maio de 2018 e onde jogadores e equipa técnica do Sporting foram agredidos por adeptos ligados à claque Juve Leo.